Juventus é alvo de investigação por esquema milionário 

Inquérito da Polícia Civil apura supostas irregularidades envolvendo dirigentes, contratos e repasses financeiros no centenário clube paulistano

Por: Jhonatan Moraes
1 mês atrás em 18 de agosto de 2026

O centenário Clube Atlético Juventus está no centro de uma investigação da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo que apura suspeitas de desvios de recursos, perseguição política, intimidações e possíveis irregularidades em contratos do clube.



A apuração ganhou força após o fim conturbado da união estável de dez anos entre os advogados Guilherme Rodrigues e Luma Zaffarani. Segundo os relatos apresentados às autoridades, Guilherme teria entregado à polícia planilhas, comprovantes bancários e informações sobre supostas movimentações financeiras envolvendo pessoas ligadas à gestão do Juventus.

Entre os pontos investigados estão negócios recentes do clube, como a negociação de sua SAF, que teria movimentado R$ 20 milhões, além de contratos relacionados à utilização da sede social e à exploração do estacionamento.

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A divisão do dinheiro

De acordo com os documentos apresentados na investigação, dos R$ 2 milhões destinados ao pagamento de serviços advocatícios relacionados à negociação da SAF, parte dos valores teria retornado a dirigentes por meio de pagamentos em espécie e transferências bancárias.

As planilhas citadas no inquérito apontam que R$ 341,2 mil em dinheiro vivo teriam sido destinados a Carlos Eduardo Gomes Pedroso, presidente do Conselho Deliberativo do Juventus. O presidente do clube, Tadeu Deradeli, teria recebido uma transferência de R$ 224 mil.

A investigação também apura possíveis irregularidades na parceria de 20 anos firmada entre o Juventus e a escola Maple Bear para utilização da sede social.

Intimidações

A Corregedoria acompanha o caso diretamente porque Carlos Eduardo Gomes Pedroso é escrivão da Polícia Civil. Segundo relatos apresentados na apuração, o dirigente teria adotado postura considerada truculenta em reuniões internas, inclusive com suposta exibição de armas, além de promover o afastamento de opositores no Conselho Deliberativo.

Outra frente da investigação envolve a concessão do estacionamento do clube à empresa Retaguarda, que pertence à esposa de um superior hierárquico de Carlos Eduardo na Polícia Civil.

O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira afirmou ter recebido uma transferência de R$ 17 mil via Pix da empresa, sem justificativa clara, após questionar a queda no faturamento do estacionamento depois da terceirização.

Contrapontos

A advogada Luma Zaffarani negou qualquer irregularidade ou repasse de dinheiro a dirigentes do Juventus. Segundo sua defesa, as acusações estão relacionadas ao fim conturbado do relacionamento com Guilherme Rodrigues.

Tadeu Deradeli confirmou ter recebido os R$ 224 mil mencionados na investigação, mas afirmou que o valor correspondia ao ressarcimento de uma aplicação financeira pessoal.

A defesa da empresa Retaguarda, por sua vez, afirmou que o contrato para exploração do estacionamento foi firmado dentro dos padrões de mercado.

Nota oficial

Em nota, o Juventus afirmou que não comenta processos que tramitam sob sigilo e destacou que questões pessoais envolvendo integrantes do quadro associativo ou pessoas que trabalham ou prestam serviços ao clube não devem ser confundidas com a atuação institucional da entidade.

Confira a nota oficial na íntegra:

“O Clube Atlético Juventus informa que não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes.

O Juventus ressalta que questões de foro íntimo, estritamente pessoal de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais. Portanto não podem nem devem ser utilizadas para atribuir à instituição qualquer responsabilidade ou posicionamento.

Com mais de um século de história e uma trajetória profundamente ligada ao esporte e à cidade de São Paulo, o Juventus preserva o compromisso de conduzir sua atuação institucional com responsabilidade, transparência e respeito à sua comunidade e tradição.”