Clube teve aval para não pagar prestação de cerca de R$ 28 milhões e tenta quitar débito do estádio por meio de acordo comercial com o banco
Foto: José Manoel Idalgo/ Agência Corinthians O Corinthians suspendeu o pagamento da terceira parcela de 2026 da dívida pela construção da Neo Química Arena enquanto negocia com a Caixa Econômica Federal uma solução para quitar o débito do estádio. A prestação, de aproximadamente R$ 28 milhões, venceu em setembro.
Segundo dirigentes, o clube recebeu aval da Caixa para não realizar o pagamento neste momento. As duas primeiras parcelas do ano foram quitadas pelo Corinthians, totalizando cerca de R$ 56 milhões.
Nos bastidores, a diretoria considera a decisão da Caixa um sinal positivo para as conversas, que envolvem uma possível quitação da dívida por meio da exploração comercial da Arena.


Corinthians negocia dívida da Arena com a Caixa
Atualmente, a dívida do Corinthians com a Caixa pela Neo Química Arena está na casa dos R$ 630 milhões. A proposta apresentada pelo clube prevê que o banco assuma os naming rights do estádio e tenha acesso a outros produtos comerciais.
O Corinthians pretende utilizar o valor dos naming rights como parte da negociação para encerrar o débito. Atualmente, o nome da arena é explorado pela Hypera Pharma, que paga cerca de R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, desde o acordo firmado em 2020.
A diretoria corintiana avalia que o espaço comercial poderia valer aproximadamente R$ 70 milhões por temporada atualmente.
A proposta também inclui outros ativos, como títulos de capitalização, transferência das operações financeiras do clube para a Caixa e produtos relacionados ao programa Fiel Torcedor.
Clube pede devolução de R$ 27 milhões
Durante uma reunião realizada na sede da Caixa, em Brasília, na semana passada, representantes do Corinthians também solicitaram a devolução de aproximadamente R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no contrato de renegociação da dívida, firmado em 2022.
O valor é considerado importante pela diretoria para auxiliar o fluxo de caixa do clube em meio à crise financeira. Até o momento, porém, não houve retorno sobre o pedido.
A negociação ganhou ainda mais importância diante da situação financeira do Corinthians. O clube possui uma dívida total estimada em aproximadamente R$ 2,8 bilhões, e a diretoria considera o débito da Arena um dos principais problemas a serem solucionados.
Corinthians pode mudar naming rights do CT
Caso o acordo com a Caixa avance, o Corinthians também avalia uma alternativa para manter a relação comercial com a Hypera Pharma.
A ideia seria oferecer à empresa os naming rights de outras instalações do clube, como o CT Joaquim Grava. Dessa forma, o Corinthians tentaria evitar o pagamento de uma eventual multa pela rescisão antecipada do contrato atualmente vigente para o nome da Arena.
Negociação pode avançar após eleições
A busca pela quitação da dívida da Neo Química Arena ocorre em um momento de disputa política interna no Corinthians. O clube terá eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo em 28 de novembro, e o atual presidente, Osmar Stabile, pretende concorrer à reeleição.
A negociação com a Caixa é tratada pela diretoria como uma das principais prioridades da gestão. Apesar do avanço das conversas, a expectativa interna é de que um eventual desfecho possa ocorrer somente depois das eleições gerais do Brasil.
Dívida da Neo Química Arena
Desde a inauguração do estádio, em 2014, o Corinthians já desembolsou cerca de R$ 600 milhões para o pagamento do financiamento da Arena.
O acordo de renegociação firmado durante a gestão de Duilio Monteiro Alves estabeleceu dezembro de 2041 como prazo final para a quitação. O contrato prevê amortizações crescentes a partir de 2025 e juros de 2% ao ano, acrescidos da variação do CDI.
Em 2023 e 2024, o Corinthians pagou apenas os juros da dívida. A redução efetiva do saldo começou em 2025.
A possibilidade de interromper os pagamentos à Caixa já havia sido discutida internamente. No ano passado, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, chegou a defender publicamente que o clube priorizasse outras dívidas. Na ocasião, a Caixa admitiu a possibilidade de renegociar novamente os débitos da Arena.