Presidente do Conselho Deliberativo afirma que clube busca recursos para regularizar pagamento e cita mecanismo que permite redução temporária das parcelas
Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC O Guarani tem uma parcela da Recuperação Judicial (RJ) em atraso, estimada em cerca de R$ 510 mil. A informação foi confirmada pelo presidente do Conselho Deliberativo, André Torquato, em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes Campinas.
Segundo o dirigente, o clube precisa buscar recursos para cumprir as obrigações previstas no plano e evitar novos problemas no processo judicial. “A parcela, se eu não me engano, gira em torno de 510 mil e é uma realidade. O clube precisa se movimentar através do seu conselho de administração para obter recursos para pagar a recuperação judicial”, afirmou Torquato.
Além da parcela em atraso, o Guarani precisa comprovar à Justiça que está avançando na negociação de parcelamentos de débitos federais e municipais. De acordo com Torquato, neste momento, o clube não precisa necessariamente quitar os tributos, mas demonstrar que está tomando providências para aderir aos programas de parcelamento.


O dirigente estima que o Bugre tenha até o fim de outubro para apresentar essa movimentação à Justiça. Caso os parcelamentos sejam feitos e posteriormente deixem de ser pagos, os órgãos públicos poderão levar novamente a questão ao processo de Recuperação Judicial.
“Se a gente assume um parcelamento e não cumpre os órgãos competentes públicos, tanto a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto o municipal, provavelmente vão peticionar no próprio processo da recuperação judicial, pedindo as consequências do não pagamento”, explicou.
Torquato também explicou que o plano de Recuperação Judicial já prevê um mecanismo que pode aliviar temporariamente os pagamentos. Segundo ele, o Guarani pode reduzir em 30% o valor das parcelas, transferindo a quantia restante para pagamentos futuros.
“Já tem aprovado na recuperação judicial uma cláusula que permite o Guarani reduzir o valor total das parcelas da RJ em 30%, empurrando esses 30% que a gente vai diminuir lá para frente”, afirmou.
A possibilidade foi citada após questionamento sobre uma eventual suspensão dos pagamentos até a conclusão da SAF e um possível aporte de Roberto Graziano. Torquato afirmou que consultou os advogados do clube e que não existe previsão para simplesmente interromper as parcelas até que a SAF seja constituída.
Assim, segundo o dirigente, a redução de 30% é o mecanismo previsto no próprio plano para diminuir temporariamente o valor das obrigações, embora a medida possa gerar impacto sobre os credores.
Além das obrigações da Recuperação Judicial, o Guarani enfrenta execuções fiscais relacionadas a débitos de IPTU. Torquato confirmou a existência de cobranças referentes a períodos anteriores e posteriores à aquisição judicial do estádio. “Não foi uma venda comum e simples, ela foi uma venda judicial”, explicou o presidente do Conselho Deliberativo.
Torquato também revelou que uma das execuções teve decisão recente reconhecendo a prescrição de aproximadamente R$ 1 milhão em débitos de IPTU. “Há 15 dias atrás reconhecendo a prescrição de um valor cobrado de IPTU em torno de 1 milhão de reais”, disse.
O cenário financeiro ocorre paralelamente ao processo de transformação do Guarani em SAF. Enquanto o clube busca avançar na operação, a diretoria precisa encontrar recursos para cumprir as obrigações da Recuperação Judicial e organizar o planejamento para a temporada de 2027.