Comercial detalha proposta de SAF com aporte de R$ 300 milhões em dez anos

Projeto prevê 90% da SAF para investidores da Alliance Football e será votado pelo Conselho Deliberativo no dia 29 de setembro

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 23 de setembro de 2026
Foto: Gabriel Lopes / Comercial FC

O Comercial se aproxima de uma decisão importante sobre seu futuro administrativo. O projeto de transformação em Sociedade Anônima do Futebol será colocado em votação na próxima terça-feira, dia 29 de setembro, e o presidente Wesley Rios demonstra confiança na aprovação pelo Conselho Deliberativo.



A proposta é liderada pelos empresários Eliel Fraga e Caian Oliveira, da Alliance Football. Pelo modelo apresentado, o grupo ficaria com 90% das ações da SAF, enquanto o Comercial manteria os outros 10%.

Além do controle do futebol, a empresa também passaria a concentrar as atuais receitas do clube, incluindo os valores relacionados ao aluguel do estádio Palma Travassos.

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“Tudo com a empresa, 100% de todas as receitas do clube hoje estaria com a empresa. Estou vendo aí algumas situações que a gente possa ter alguma receita para o clube com eles.”

O projeto prevê investimento de R$ 300 milhões ao longo de dez anos. Segundo Wesley, esse montante não precisa ser formado exclusivamente por recursos próprios dos investidores. Patrocínios, parcerias comerciais e outras fontes de receita poderão ser contabilizados dentro do compromisso financeiro estabelecido.

“Eles podem trazer parceiros, patrocínios. Isso tudo é colocado dentro de um bolo. Eles podem trazer, por exemplo, um patrocínio para a camisa no valor de R$ 50 mil e isso vai ser colocado junto desses investimentos de R$ 300 milhões.”

Apesar desse formato, a Alliance Football terá de demonstrar capacidade para cumprir o investimento previsto. Caso o projeto seja aprovado, o próximo passo será a realização de uma due diligence, processo de análise de documentos, garantias e riscos antes da conclusão definitiva da operação.

De acordo com o presidente, essa etapa deverá durar cerca de 60 dias. Durante esse período, os investidores já passariam a cumprir obrigações do clube e participariam do planejamento para a Série A4.

“A partir do momento que for aprovado, no outro dia já se inicia a due diligence, que já será feita em 60 dias pela empresa deles. E, a partir desse momento, eles estarão cumprindo com as obrigações do clube e planejando a Série A4.”

Depois da auditoria, começaria uma nova etapa para a constituição formal da SAF. Wesley estima que todo o processo possa levar entre seis e oito meses.

Outro ponto importante envolve as dívidas do Comercial. Uma auditoria realizada em abril apontou um passivo de aproximadamente R$ 42 milhões. O pagamento continuará sendo responsabilidade do clube, embora a SAF tenha obrigação de garantir a cobertura dos valores caso o Comercial não consiga quitá-los.

Nesse cenário, segundo Wesley, o débito seria assumido pela empresa, mas posteriormente passaria a representar uma obrigação do Comercial com a própria SAF. A definição sobre o início desse processo depende agora da votação do Conselho Deliberativo na próxima semana.