Clube deixou de pagar três parcelas da renegociação com a PGFN e corre risco de perder os benefícios obtidos no acordo
Foto: Reprodução/Corinthians A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) notificou o Corinthians pelo atraso de três parcelas do acordo que renegociou uma dívida de R$ 1,2 bilhão com a União e reduziu o valor para R$ 679 milhões. Os débitos em aberto somam R$ 20,494 milhões, e a falta de regularização pode levar à rescisão da transação.
A gestão de Osmar Stabile deixou de pagar as parcelas referentes aos meses de junho, julho e agosto. O clube havia quitado as quatro primeiras prestações, entre fevereiro e maio, após a renegociação das dívidas acumuladas com a União ao longo de duas décadas.
O contrato firmado com a PGFN estabelece que a “falta de pagamento de três parcelas consecutivas ou alternadas” pode resultar na rescisão do acordo.


Diante dos atrasos, a Procuradoria notificou o Corinthians em 14 de agosto para que regularizasse a situação, sob risco de rompimento da transação. Internamente, a diretoria afirma que trabalha para colocar os pagamentos em dia. A próxima parcela vence no dia 30 de setembro.
A PGFN é responsável pela representação da União em questões fiscais e pela cobrança administrativa e judicial de débitos, como impostos e contribuições ao INSS.
Valores em atraso
Na parte referente aos débitos não previdenciários, cada uma das 120 parcelas tem valor de R$ 4.829.616,18. Como três prestações não foram pagas, o Corinthians acumula R$ 14.488.848,54 em atraso.
Já os débitos previdenciários foram divididos em 60 parcelas de R$ 2.001.982,48. As três prestações não quitadas representam outros R$ 6.005.947,44 em aberto.
Os valores das parcelas são corrigidos pela Selic, taxa básica de juros da economia brasileira.
Caso a transação seja rompida, o contrato prevê o restabelecimento do valor original da dívida, sem os descontos concedidos na renegociação, descontando apenas os valores já pagos pelo clube.
Com isso, as cobranças judiciais e extrajudiciais seriam retomadas. Além disso, o Corinthians ficaria impedido de realizar uma nova transação tributária pelo período de dois anos, mesmo em relação a outros débitos.
O acordo com a PGFN também gerou discussão durante a aprovação das contas do Corinthians referentes a 2025. Embora a renegociação tenha sido assinada em 2026, a gestão contabilizou os efeitos da transação no exercício anterior.
A operação reduziu em R$ 217,428 milhões o endividamento bruto total do clube.
O Corinthians, porém, segue enfrentando dificuldades financeiras. O clube tem uma dívida na casa dos R$ 2,8 bilhões e acumulou déficit de R$ 246 milhões apenas no primeiro semestre de 2026.
As dificuldades também chegaram aos pagamentos do dia a dia. No futebol masculino, o clube acumula dois meses de direitos de imagem em atraso, além de pendências referentes a férias e premiações da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
Em setembro, o salário dos jogadores também chegou a atrasar por uma semana antes de ser quitado.