Presidente do Conselho Deliberativo cita possível intervenção judicial e questionamentos às regras da votação marcada para 28 de novembro
Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians A eleição do Corinthians, marcada para 28 de novembro, corre o risco de não ser realizada. A avaliação foi feita por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do clube, durante entrevista concedida na tarde desta quarta-feira.
Segundo Tuma, uma eventual intervenção judicial ou novas decisões relacionadas às regras do processo eleitoral podem interferir na realização do pleito.
“Sim (corre o risco de não acontecer a eleição). Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público. Tentaria na Justiça, porque você é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente.”


O dirigente defendeu que o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, procure o Ministério Público para tentar construir uma solução para os impasses atuais. Entre as possibilidades citadas está a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
Eleição do Corinthians pode ser afetada por intervenção judicial
O Ministério Público de São Paulo possui um inquérito cível que apura a possibilidade de intervenção judicial no Corinthians. Os promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal são responsáveis pelo procedimento.
Tuma afirmou que ainda não é possível determinar quem ficaria responsável pelo clube caso uma intervenção fosse determinada. Segundo ele, isso dependeria do alcance da medida estabelecida pela Justiça.
“Não sei (quem seria o responsável pelo clube caso a eleição não aconteça), depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho.”
O presidente do Conselho Deliberativo também explicou que uma eventual intervenção poderia paralisar algumas deliberações internas, dependendo dos poderes atribuídos ao interventor.
“É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Mas acho que vai haver intervenção quando o Conselho extingue o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor.”
Reforma do estatuto também é questionada
Outro ponto citado por Romeu Tuma foi a suspensão da votação da reforma do estatuto do Corinthians, após uma nova liminar apresentada por conselheiros vitalícios.
Para o presidente do Conselho Deliberativo, o cenário atual pode contribuir para o entendimento do Ministério Público sobre a possibilidade de intervenção no clube.
“Com certeza, o estado de coisas hoje facilita muito. Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino, foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo.”
Tuma também defendeu sua atuação à frente do Conselho Deliberativo e afirmou que as medidas adotadas tiveram como objetivo aumentar o controle interno e fazer cumprir o estatuto do clube.
“Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança muito grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Primeiro, isso demonstra claramente que eu estou certo: a gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto.”
Ação na Justiça questiona regras da eleição
Além da possibilidade de intervenção judicial, o processo eleitoral do Corinthians também é alvo de uma ação apresentada por um associado.
O processo questiona pontos definidos pela Comissão Eleitoral e aponta supostas “ilegalidades e abusividades que contaminam o processo eleitoral em curso”.
Entre os questionamentos estão as taxas cobradas de candidatos e chapas. Os candidatos precisam pagar o equivalente a três mensalidades do título familiar, valor informado de R$ 330 por candidato. Já as chapas devem pagar o equivalente a 25 mensalidades do título individual, correspondente a R$ 241.
A ação também contesta a exigência de reconhecimento facial para a votação. Os associados precisam estar com a biometria atualizada até sete dias antes da eleição.
Segundo o questionamento apresentado à Justiça, essa exigência estaria em desacordo com o Estatuto do Corinthians, que estabelece como requisitos para votar ser maior de 18 anos, ter sido admitido no clube há pelo menos cinco anos e estar em dia com as contribuições.
Eleição do Corinthians está marcada para 28 de novembro
Com os questionamentos judiciais e o inquérito que apura uma possível intervenção, o cenário para a eleição do Corinthians segue cercado por disputas envolvendo as regras do processo e o funcionamento dos órgãos internos do clube.
Romeu Tuma Júnior afirmou que existe, neste momento, o risco de o pleito marcado para 28 de novembro não ser realizado caso decisões judiciais interfiram no processo.