Mirassol: Clube usa anel inteligente para monitorar sono dos jogadores

Tecnologia de R$ 3 mil registra dados durante o período fora do CT e ajuda clube a ajustar rotina e treinamentos

Por: Lucas Soares
4 horas atrás em 7 de outubro de 2026
Foto: Gabriel Castro

O Mirassol passou a utilizar uma tecnologia para acompanhar de perto o sono e a recuperação dos jogadores. O clube adotou um anel inteligente que coleta informações durante o período em que os atletas estão fora do centro de treinamento e permite à comissão identificar hábitos que podem influenciar diretamente no desempenho em campo.



O dispositivo, que custa cerca de R$ 3 mil, registra dados como horário em que o jogador dormiu e acordou, tempo necessário para pegar no sono, temperatura do ambiente e do corpo, além da movimentação durante a noite. A ferramenta também fornece informações relacionadas a estresse e consumo de cafeína. Segundo o fisiologista Rafael Pinto, o equipamento funciona como um “mini laboratório” carregado diariamente pelo atleta.

As informações ficam disponíveis para os departamentos médico e físico do Mirassol por meio de um aplicativo. Com os dados coletados, os profissionais conseguem identificar alterações na rotina e fazer intervenções individualizadas. Em um dos casos citados pelo clube, o monitoramento ajudou a detectar sinais de febre durante a noite.

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O acompanhamento também permite ao clube orientar os atletas sobre hábitos que podem prejudicar a qualidade do sono. As recomendações podem envolver desde a temperatura do quarto até o horário das refeições, o consumo de cafeína e as condições do colchão e do travesseiro. Em alguns casos, o Mirassol passou a orientar jogadores a interromper o consumo de cafeína a partir das 15h.

Os dados ainda são utilizados no planejamento dos treinamentos. A comissão técnica consegue avaliar como cada jogador passou a noite e ajustar a carga de trabalho de acordo com o nível de recuperação apresentado. Dessa forma, o objetivo não é apenas melhorar a performance, mas também estabelecer uma rotina de sono mais adequada para os atletas.

Inicialmente, alguns jogadores tiveram receio de que o equipamento fosse utilizado para controlar o que faziam fora do clube. Segundo Rafael Pinto, porém, a intenção é utilizar os dados para orientar os atletas e melhorar a recuperação. Todos os jogadores do elenco aderiram à ferramenta, que não é uma obrigação prevista em contrato.

O Mirassol também criou uma espécie de competição interna a partir das informações coletadas pelo anel. O clube mantém um ranking baseado em variáveis como sono REM, sono profundo e outros indicadores, permitindo que os jogadores acompanhem quem apresenta os melhores resultados. O goleiro Walter aparece frequentemente entre os três primeiros.

Para os jogadores, a tecnologia passou a fazer parte da rotina. O lateral Daniel Borges contou que inicialmente se surpreendeu ao descobrir que tinha um sono mais irregular do que imaginava, mas conseguiu melhorar os hábitos com o acompanhamento. Atualmente, ele afirma que praticamente não percebe mais o equipamento no dedo e o utiliza durante toda a semana, retirando apenas para entrar em campo.

O anel complementa outras ferramentas já utilizadas pelo departamento do Mirassol, como questionários, avaliações, exames, fisioterapia e preparação para os treinamentos. A diferença é que parte das informações sobre o período em que o atleta está longe do CT passa a chegar diretamente aos profissionais por meio dos dados registrados pelo dispositivo.