Clube não é acusado no processo, mas precisa esclarecer valores relacionados à participação do Figueirense na transferência
Foto: Divulgação/Manchester City O Palmeiras terá de apresentar à Justiça documentos e informações financeiras referentes à transferência de Allan para o Manchester City, da Inglaterra. A determinação está relacionada a uma disputa judicial envolvendo o Figueirense, clube que possui direito a uma porcentagem dos valores da negociação.
Embora tenha sido incluído no procedimento para prestar esclarecimentos, o Palmeiras não é réu na ação e não responde por irregularidades na transferência.
A discussão envolve os recursos que o Figueirense tem a receber pela venda do jogador e a existência de credores que buscam o pagamento de dívidas da equipe catarinense.


Transferência envolve pagamento parcelado
A negociação de Allan com o Manchester City foi acertada em agosto, e a transferência definitiva ocorreu em 1º de setembro de 2026.
De acordo com as informações apresentadas pelo Palmeiras à Justiça, o valor fixo da operação foi estabelecido em 37.416.960 euros, com pagamento dividido em quatro parcelas anuais.
O acordo total, considerando valores fixos e bonificações, pode chegar a aproximadamente 40 milhões de euros.
Antes da negociação, o Palmeiras havia ampliado sua participação nos direitos econômicos do jogador.
O clube adquiriu mais 20% dos direitos junto ao Figueirense, por R$ 1,6 milhão, passando a controlar 90% do total.
A equipe catarinense permaneceu com direito a 10% do valor líquido efetivamente recebido pelo Palmeiras, além de uma bonificação contratual de R$ 750 mil.
Esses valores estão no centro da discussão judicial.
Disputa entre credores impede repasses
O processo teve origem em uma ação movida pela M&F Investimentos e Participações contra o Figueirense.
A empresa busca receber valores relacionados a uma dívida do clube catarinense e solicitou o bloqueio de recursos provenientes da transferência de Allan.
A Justiça determinou a retenção de aproximadamente R$ 5,9 milhões.
Além dessa cobrança, existem outras reivindicações sobre os créditos do Figueirense, incluindo uma apresentada pelo Athletico-PR e outra relacionada a um processo trabalhista.
Diante da existência de diferentes interessados, a juíza Marcella Leal Restum determinou que o Palmeiras mantenha os valores retidos até que os pagamentos sejam autorizados judicialmente.
A medida não representa uma punição esportiva ao clube paulista.
Palmeiras deverá detalhar contratos e pagamentos
Em decisão de 14 de outubro, a Justiça solicitou documentos referentes a dois momentos da relação contratual entre Palmeiras e Figueirense.
O primeiro corresponde ao acordo firmado em janeiro de 2019, relacionado à chegada de Allan ao clube paulista.
O segundo envolve a aquisição de mais 20% dos direitos econômicos do atleta, realizada em maio de 2025.
Também foram solicitadas informações sobre o recebimento da parcela prevista para outubro, os valores líquidos da transferência e a situação da bonificação contratual.
Segundo as informações divulgadas, o Palmeiras ainda não havia sido formalmente notificado da nova determinação, mas manifestou disposição para cumpri-la quando isso ocorrer.
O clube pretende preservar a confidencialidade dos contratos firmados com o Manchester City.
A discussão judicial não altera a transferência do jogador, mas estabelece procedimentos para definir a destinação dos recursos pertencentes ao Figueirense.