Conselho Deliberativo aprovou a mudança por unanimidade; decisão resgata a história da doação do terreno e contesta a oficialização anterior do nome Anísio Haddad
Foto: Muller Merlotto Silva/Rio Preto O estádio do Rio Preto Esporte Clube, conhecido popularmente como Riopretão, voltou a se chamar oficialmente Victor Britto Bastos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo na última segunda-feira (19) e encerra uma antiga discussão sobre a denominação do local, que vinha sendo chamado oficialmente de Anísio Haddad.
Segundo o presidente do clube, José Eduardo Rodrigues, a decisão resgata a história da instituição e considera documentos que apontam que a homenagem a Anísio Haddad não foi aprovada definitivamente conforme as exigências do estatuto.
“Existe na história do Rio Preto Esporte Clube uma velha pendência, agora resolvida pelo Conselho Deliberativo que, de forma unânime, decidiu denominar definitivamente o nosso estádio como Victor Britto Bastos, nosso eterno patrono. Existem confusões na cidade, inclusive entre torcedores mais jovens, que desconhecem a história do clube. Tenho aqui atas de várias reuniões do conselho nos últimos 30, 40 anos e documentos que comprovam as razões que levaram a essa decisão, por proposta do presidente Itamar Malvezi e também de minha autoria.”


Rodrigues também afirmou que o clube pretende digitalizar atas e documentos históricos para disponibilizá-los aos torcedores.
“O clube se reencontra com suas origens, abrindo suas portas para o futuro. A história é uma continuação, e o presente é uma extensão do passado. Temos livros e atas que comprovam tudo isso. Em breve, vamos digitalizar esses documentos e disponibilizá-los para que os torcedores de hoje possam verificar o que aconteceu na nossa história.”
Entenda a origem do nome Victor Britto Bastos
A retomada do nome homenageia a contribuição de Victor Britto Bastos e de sua esposa, Generosa de Siqueira Brito, para a trajetória do Rio Preto. Em 8 de novembro de 1922, o casal doou ao clube um terreno na rua Bernardino de Campos para a construção de um estádio.
A doação, porém, previa uma cláusula de reversão, que obrigaria o clube a devolver a área à família ou aos descendentes caso deixasse o local. Na década de 1960, diante da necessidade de um campo maior e das exigências da Federação Paulista, o Rio Preto precisou encontrar outro terreno.
Sem recursos para comprar uma nova área, o clube contou com a negociação conduzida por Ulisses Jamilcury, que convenceu a família a abrir mão da cláusula. A medida permitiu a venda do terreno antigo e a aquisição da área onde está o estádio atual, inaugurado em 1968.
“Portanto, tivemos duas contribuições da família de Victor Britto Bastos: a doação de 1922 e a liberação da área em 1964, que possibilitou a construção do atual estádio”, explicou o presidente.
De acordo com Rodrigues, o nome Victor Britto Bastos já era utilizado para identificar o estádio antes de Riopretão se popularizar. Como exemplo, ele citou a apresentação de um loteamento de 1974, o Jardim das Palmeiras, em que a prefeitura já se referia ao local como Estádio Victor Britto Bastos.
“O estádio começou sendo chamado de Victor Britto Bastos. Isso aparece, por exemplo, na apresentação de um loteamento em 1974, o Jardim das Palmeiras, em que a própria prefeitura já tratava o local como Estádio Victor Britto Bastos. Anos depois, começou a ser chamado de Riopretão.”
Por que o estádio passou a ser chamado Anísio Haddad?
A denominação Anísio Haddad surgiu após a morte do então presidente do Rio Preto, em janeiro de 1978. Na ocasião, Raul Siste propôs que o estádio recebesse o nome do dirigente, mas a votação no Conselho Deliberativo não atingiu os dois terços dos votos exigidos pelo estatuto do clube.
José Eduardo Rodrigues afirmou que votou a favor da homenagem, mas disse acreditar que Anísio Haddad não desejava dar seu nome ao estádio.
“Com a morte do presidente Anísio Haddad, em janeiro de 1978, Raul Siste propôs que o estádio recebesse seu nome. Mas houve uma grande divergência no Conselho Deliberativo e a proposta não alcançou os dois terços dos votos exigidos pelo estatuto. Eu mesmo votei a favor, porque Anísio era meu grande amigo, mas sabia, pela proximidade que tinha com ele, que nunca foi seu desejo dar nome ao estádio.”
Ainda segundo o presidente, em maio daquele ano, Beninha Haddad, viúva de Anísio, enviou uma carta ao Conselho Deliberativo abrindo mão da homenagem, incomodada com a falta de unanimidade na votação. Anos depois, uma nova tentativa de oficializar a denominação também teria enfrentado divergências.
Apesar de contestar o nome do estádio, Rodrigues ressaltou a importância de Anísio Haddad para o clube durante sua gestão.
“Muita gente na cidade acha que Anísio Haddad doou esta área ou construiu o estádio. Não. Ele fez muita coisa boa, levou o Rio Preto a várias conquistas durante seus oito ou nove anos de gestão, mas não participou da construção do estádio. Quando chegou à presidência, ele já estava construído. Seu grande sonho era o clube de campo.”
A avenida em frente ao estádio, no entanto, continuará com o nome Anísio Haddad, mantido pela lei que oficializou a denominação da via.