Objetivo claro: competir no Sub-20 sem abrir mão de um pilar que ele considera decisivo para o clube — dar experiência e confiança para atletas mais jovens, especialmente os que vêm do Sub-17.
Lolê Arts - Flamengo O Flamengo de Guarulhos chega para a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026 com uma ideia bem clara na cabeça do treinador Wallison Bernardo: competir no Sub-20 sem abrir mão de um pilar que ele considera decisivo para o clube — dar experiência e confiança para atletas mais jovens, especialmente os que vêm do Sub-17.
Ao longo da entrevista ao Exclusiva TSP, Wallison deixou evidente que não enxerga a Copinha apenas como “torneio para os mais velhos”. Para ele, a competição é um ponto de encontro entre resultado e projeto: vencer é importante, mas formar, acelerar processo e preparar ativos do clube também é parte da missão.
“Nós temos bastante jogadores da categoria do sub-17. Nós vamos ter ali de 10 a 12 jogadores que fizeram o Campeonato Paulista esse ano, e quem conhece o meu trabalho sabe que eu sempre fui assim, eu sempre procuro valorar o clube, os seus ativos, então eu entendo que a copinha sub-20 é muito importante para os mais velhos, mas acredito que já tem que ter uma sequência com os mais novos, então vai ser um grupo que vai ser um bom equilíbrio, mesclando entre os mais velhos e os mais novos.”

Wallison fala de “formação continuada” com naturalidade, como alguém que passou tempo suficiente no Sub-17 para entender o que acontece quando um atleta fica “travado” na transição. A lógica do treinador é simples e direta: se ele acredita no potencial do garoto, o melhor caminho é expor o atleta ao ambiente real, nem que seja para viver vestiário, rotina e pressão.
“Se você não permite um atleta que você acredita muito ele vivenciar, pelo menos estar no grupo de copinha, você acaba meio que travando em alguns sentidos a carreira desse atleta. Então eu, por estar ali muitos anos no sub-17, eu entendia e entendo que muitos deles têm capacidade sim, de estar num grupo, alguns até de jogar a copinha.”
E quando a conversa entra na pergunta que muita comissão técnica evita — “mas não é cedo?” — Wallison praticamente assume o risco como método. Ele não promete titularidade para ninguém, mas deixa claro que idade não é critério absoluto.
“Eu pelo menos não faço esses bloqueios do 17 para o 20. Se o menino for mais novo e ele for melhor que o moleque sub-20, nós vamos colocar o sub-17 sem problemas e dando confiança. É óbvio que com bastante trabalho, com o moleque tendo bastante entendimento, o que precisa ser feito.”
Nesse ponto, o discurso não é só sobre um garoto “subindo”. É sobre cultura interna. Ao afirmar que o mais novo joga se estiver melhor, Wallison manda uma mensagem dupla: para o jovem, que ganha horizonte; e para o Sub-20, que entende que ninguém tem lugar garantido.
Quando Wallison cita nomes para o torcedor “ficar de olho”, um detalhe chama atenção: ele coloca na lista um atleta de 2010, portanto com cerca de 15 anos, o que costuma ser raro em Copinha Sub-20.
Breno aparece como símbolo do que o treinador explicou anteriormente: talento não espera idade “ideal”, principalmente quando a comissão enxerga algo diferente.
“A gente vai levar para a copinha um 2010 chamado Breno, que é um atleta que eu pré-jugo, como outras pessoas também, tem um talento natural, individual, tem um contato com a bola muito bom, então fica de olho nesse jogador.”
O treinador não entra em posição, função ou esquema — e até evita “entregar o modo de jogar”. Mas o recado é claro: Breno não está ali para completar número. Está ali porque a comissão vê algo que vale o teste em cenário grande.
Além da joia mais nova, Wallison também destacou atletas com mais “lastro”, inclusive um nome que chega com grife de clube grande: Matheus Roger, goleiro que veio do Corinthians. Para Copinha, ter um goleiro seguro muitas vezes muda a história de um grupo na primeira fase — principalmente em chave equilibrada e de margem mínima.
“Nós temos um goleiro que acaba de vir do Corinthians também, Matheus Roger, que é extremamente conhecido, pode fazer muita diferença.”

Na mesma lista, ele apontou um volante que considera acima da média e nomes de beirada, deixando o caminho aberto para o torcedor montar seus próprios “olhares” de observação durante os jogos.
“Temos o Guilherme Ribeiro, que é um volante diferenciado também, e nós vamos ter duas peças ali de beirada que também é conhecido já no mundo do futebol, o Gabriel Assunção… são jogadores que eu cotaria para o pessoal pudesse dar uma olhada a mais.”
O ponto em comum entre os destaques citados é interessante: não é só “promessa”. Wallison desenha um elenco mesclado — juventude com talento bruto, e experiência com jogadores capazes de sustentar a equipe em momentos de pressão.
A escolha por levar jovens ganha ainda mais peso quando se olha para a chave do Flamengo de Guarulhos. Wallison define o grupo como equilibrado, onde não dá para “tirar ponto” de ninguém e onde vacilar custa caro. Em um cenário assim, ter alternativas — de energia, de intensidade e até de surpresa — vira arma.
Ao mesmo tempo, para um clube que vive a relação base-profissional de forma próxima, a Copinha vira vitrine e ponte. E Wallison trata isso como parte do combustível dos meninos.
“A copinha por si só, ela já motiva o jogador… Os jogadores do Flamengo, que jogam a copinha, eles sabem que é um passo a mais que eles podem dar… não é um passo longo, é um passo perto, é você desempenhando bem, jogando bem a copinha.”
No fim, a mensagem por trás da estratégia é simples: o Flamengo quer competir, mas também quer acelerar gente. Em Copinha, às vezes você passa de fase por detalhe. E Wallison parece apostar que, em alguns jogos, o detalhe pode vir justamente da ousadia de colocar “um 2010” no meio de um torneio Sub-20 — desde que o futebol dele sustente.