Diretor do XV de Piracicaba critica imediatismo, cobra convicção nos projetos e destaca profissionalização como caminho
Foto: Jefferson Barbosa/ EPTV Em meio a um futebol cada vez mais imediatista, Beto Souza, diretor executivo de futebol do XV de Piracicaba, defende um caminho de continuidade de trabalho, convicção nas decisões e profissionalização dos processos. Em entrevista exclusiva ao TSP Especial, o diretor fez uma análise ampla sobre o cenário atual do futebol brasileiro, a pressão por resultados e a importância de dar tempo aos projetos.
Para Beto, demitir treinadores diante de qualquer oscilação é uma prática que compromete resultados a médio prazo.
“É muito mais cômodo mandar o treinador embora e tirar o peso das costas. Difícil é manter a convicção e sustentar o trabalho”, afirmou.
O dirigente citou exemplos do próprio XV para reforçar o argumento.
“Aqui já tivemos pressão enorme para trocar treinador, mas acompanhando o dia a dia, a gente sabia que o trabalho estava sendo bem feito”, explicou.
O clube recebeu no começo do ano a pressão para demissão do técnico que viria a levantar a taça da Copa Paulista no meio do ano, Moisés Egert.
Beto também destacou como o futebol se tornou mais profissional nos últimos anos, exigindo qualificação constante de todos os envolvidos.
“Hoje não dá mais para o treinador não viver o clube. Ele tem que estar presente, estudar, acompanhar tudo”, disse.
Além disso, apontou a profissionalização como caminho sem volta, especialmente para clubes do interior.
“O futebol está inflacionado, as despesas aumentam e a receita não acompanha. Por isso, modelos como a SAF passam a ser essenciais para clubes menores”, analisou.
A visão do dirigente reforça a ideia de que o XV busca não apenas resultados imediatos, mas uma reconstrução baseada em planejamento e estrutura.