Conselho do São Paulo racha antes de votação de impeachment
Foto: VICTOR MONTEIRO /PERA PHOTO O cenário político do São Paulo mudou de forma significativa nos últimos meses. Às vésperas da reunião que vai definir se Julio Casares continuará ou não na presidência do clube, o Conselho Deliberativo chega fragmentado e com uma base de apoio bem menor do que a que sustentava o dirigente até o fim do ano passado.
Investigações conduzidas pela Polícia e pelo Ministério Público, além da repercussão envolvendo a exploração irregular de um camarote no Morumbis, provocaram um desgaste interno considerável. O reflexo disso foi a perda de sustentação política dentro do colegiado, composto atualmente por 254 conselheiros aptos a votar.
Hoje, apenas dois grupos seguem alinhados a Casares, somando cerca de 67 conselheiros. Em contrapartida, outros blocos e conselheiros independentes, que juntos chegam a aproximadamente 187 votos, já se posicionaram de forma contrária ao presidente nas últimas semanas.
O contraste com o passado recente é grande. Até o início de dezembro, a coalizão governista reunia seis grupos e controlava ampla maioria do Conselho, com cerca de 200 conselheiros favoráveis à gestão. A oposição, naquele momento, se restringia a um único grupo, com pouco mais de 50 integrantes.
Esse equilíbrio mudou rapidamente. Quatro grupos que integravam a base formal de apoio protocolaram documento informando o rompimento com a presidência. Entre eles, inclusive, estava o grupo do próprio Julio Casares. Com essa movimentação, a oposição passou a reunir força suficiente para pressionar o dirigente, embora ainda não alcance, em tese, o número mínimo exigido para a destituição.
Pelo critério definido nesta semana, serão necessários 191 votos favoráveis para o impeachment, conforme o Artigo 58 do Estatuto Social. A decisão gerou insatisfação entre opositores, que defendiam a aplicação de outro dispositivo estatutário, no qual o afastamento exigiria dois terços dos votos, número inferior ao atual.
A avaliação interna é de que a presença dos conselheiros na reunião será determinante. Ausências por motivos pessoais ou de saúde podem alterar o cenário projetado. Mesmo assim, o encontro foi mantido de forma exclusivamente presencial, com votação secreta, conforme determinação do presidente do Conselho Deliberativo.
A reunião está marcada para sexta-feira, às 18h30, no Morumbis, e será decisiva para definir o futuro político do comando do São Paulo.