Mesmo com 100% no Paulistão, treinador evita euforia, valoriza a base e reforça que não promete títulos
Foto: Reprodução/Tv Palmeiras A sequência de três vitórias em três jogos e o aproveitamento perfeito neste início de Campeonato Paulista aumentaram o otimismo da torcida do Palmeiras. Mesmo assim, o técnico Abel Ferreira adotou um tom cauteloso após o triunfo por 1 a 0 sobre o Mirassol, neste sábado, na Arena Barueri, e fez questão de evitar qualquer clima de euforia antecipada.
Segundo o treinador, o momento positivo precisa ser analisado com equilíbrio, principalmente pelo processo de reformulação vivido pelo elenco nos últimos meses. O Palmeiras perdeu jogadores importantes e recebeu diversos reforços, o que exige tempo para ajustes.
– Nunca prometi títulos e nem vou prometer. Eu falo que é uma equipe competitiva e vamos brigar. Sei os recursos que tenho e vou trabalhar para isso. Me pediram um título e ganhamos 10. Se fosse dividir os títulos por anos não estavam a dizer o que me dizem. É uma equipe competitiva.
Abel lembrou que o grupo passou por mudanças significativas e reforçou que o trabalho ainda está em construção.
– O quase, mas temos que chegar. Temos que ver como chegamos. Saiu o Ríos, Estevão, contratamos 11 jogadores e vamos continuar no caminho e não vou prometer o que não posso. Prometo uma equipe competitiva que briga por títulos – afirmou.
Durante a entrevista, o técnico valorizou a utilização de atletas formados na base, como Arthur e Luis Pacheco, que começaram como titulares contra o Mirassol. Ele destacou a importância de dar espaço aos jovens e também ressaltou a responsabilidade financeira do clube.
– Se não ganhar títulos, eles vão ser aplaudidos? Essa é nossa função. O Arthur não cruza, ele passa. O grande protagonista são os jogadores. E o treinador tem que falar, incentivar… E temos que ver jogadores como Arthur, que não cruza, passa. Ele fez uns sete passes.
– O Pacheco também é muito bom. Mas aqui é isso. Não vejo nenhum treinador fazendo isso. A gente ganhou muito dinheiro vendendo jogadores…o que mais queremos aqui e temos responsabilidade financeira, mas ninguém quer saber isso, querem títulos. Temos que continuar sendo uma equipe competitiva, mas com responsabilidade. É o que fizemos nos últimos anos. Se não ganharmos de um jeito será de outro – assegurou.
Com os nove pontos conquistados, o Palmeiras começa a encaminhar a classificação para as quartas de final do Paulistão. O próximo compromisso será na terça-feira, quando o time enfrenta o Novorizontino, fora de casa.
Ao analisar o desempenho da equipe, Abel voltou a elogiar a postura apresentada em campo e a participação dos torcedores.
– Todos são difíceis e mais que os adversários somos nós. Não passo, não cruzo, apenas peço e os jogadores fazem. Nossos jogadores têm que entender que jogamos no Palmeiras e temos que nos expor, correr riscos, não se esconder, independente das críticas. Isso que estamos procurando fazer, um jogo como treinador dá gosto de ver.
– Para os nossos torcedores também agradecer a eles, jogaram juntos e somos mais fortes assim. Vamos continuar assim, fazendo o mesmo, mas melhor. Com essa audácia e coragem de nos desafiar. Independente do adversário, as vezes tem mais qualidade técnica, como o Mirassol. O Paulistão é o melhor do país pela quantidade de times da Série A, nenhuma tem tantas assim e outras que estão supermotivadas. Continuar o caminho.
Questionado sobre a situação física de Vitor Roque, que deixou o campo com gelo no joelho, o treinador adotou cautela.
– Vitor Roque? Não sei dizer o que ele tem, mas, como já digo, e não precisa ser um mago da fisiologia para saber que quando está parado um mês e quando vai ao ginásio para fazer 50 flexões ou exercícios, não vai conseguir.
– Com uma pré-temporada dessa não dá. Se eu pudesse pedir algo era ter mais uma substituição para fazer, assim como quando tem um choque de cabeça.
Abel também comentou a possibilidade de saída de alguns atletas e voltou a falar sobre a política do clube de apostar em jogadores revelados internamente.
– Ele ainda não saiu, mas a cobrança é muito grande a mim e pedem para ganhar títulos, apostar na base: 45% é da base e você não vê nenhuma equipe que faz isso. Ano passado, lutaram por títulos: Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro. Vocês viram algum dando oportunidade à base? Não sei se já saiu ou não, não mando no clube, mas três vão sair: Micael, Anibal e Weverton, e pode sair Facundo – só veio o Marlon Freitas.
– Sou o treinador, me exigem resultado e nós enfrentamos clubes com jogadores experientes. Perdemos para o Flamengo, que se calhar investe mais do que a gente. Temos que trabalhar para continuar buscando títulos.
Sobre o sistema defensivo, o treinador elogiou a solidez apresentada nas primeiras partidas e a concorrência interna por posições.
– Deixa contente como mudamos todos os jogadores da defesa. É dar oportunidade a todos de jogarem. Quando eu explico, eu explico tudo a todos. As mesmas coordenadas para cada um fazer o melhor. Não temos todos disponíveis, temos vários lesionados, mas é isso, continuar no trabalho.
– A concorrência, quando o Palmeiras joga contra a Portuguesa, temos que ser superiores, ganharmos. Quando começar Brasileiro e Libertadores é outra dimensão. Quando jogarmos com times de Série A, é manter. Me dá o gosto de não levar gols, mas podíamos ter feito três ou quatro. Uma jogada do Vitor Roque que poderia ter feito e poderíamos ter aberto o placar ali. É isto, continuar neste caminho, continuar assim.
Por fim, Abel Ferreira comentou a dificuldade da equipe em transformar volume de jogo em gols, mas demonstrou confiança na evolução ofensiva.
– Acha mesmo que jogadores fazem pacto para não fazer gols? É continuar a trabalhar…eu quero, os jogadores também querem muito fazer. É preocupante quando a equipe não cria, aí é um problema do treinador, o tático é do treinador, e o jogo são eles que jogam, são os protagonistas.
– Duas coisas que me deixam contente é que em três jogos teve uma consistência defensiva. Das tantas finalizações, podíamos ter feito quatro gols. E hoje merecemos, pelo que criamos e desempenhamos. Sabemos que para fazer gols, precisamos finalizar. É nosso foco. Temos dois atacantes que fazem muitos gols, o Bruno e o Luighi que também podem ajudar. Cada competição que o Palmeiras entra, entra para brigar.
Mesmo com o início promissor, o treinador deixa claro que o Palmeiras segue com os pés no chão e focado em evoluir ao longo da temporada.
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