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Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após votação

Derrotado no Conselho Deliberativo, dirigente deixou o cargo antes da assembleia e publicou carta explicando os motivos da decisão

Por: Neila Gonçalves
12 horas atrás em 21 de janeiro de 2026
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Julio Casares não é mais presidente do São Paulo Futebol Clube. O dirigente anunciou sua renúncia nesta quarta-feira, por meio de uma publicação nas redes sociais, oficializando a saída do cargo máximo do executivo tricolor.

A decisão veio após Casares ser derrotado na votação do Conselho Deliberativo, realizada na última sexta-feira. Com o resultado desfavorável, o então presidente optou por deixar o posto antes da assembleia geral dos associados, que poderia confirmar o processo de impeachment. Com a renúncia, essa assembleia foi automaticamente cancelada.

No pleito do Conselho, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment, enquanto 45 foram contrários e dois optaram pelo voto em branco. A sessão foi marcada por protestos de torcedores contra a gestão de Casares.

Com a vacância do cargo, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assume a presidência do São Paulo até o término do mandato atual, previsto para dezembro de 2026.

Em carta divulgada na íntegra, Casares afirmou que exerceu a presidência com “seriedade, responsabilidade e compromisso” e classificou o processo como político. O ex-dirigente disse respeitar a decisão do Conselho, embora discorde dela, e reforçou que sua renúncia não representa admissão de culpa ou reconhecimento de irregularidades.

Leia a carta na íntegra:

Ao longo de minha trajetória à frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição, sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.

Nos últimos meses, o clube passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.

O que se iniciou como versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado como verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.

Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.

Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.

Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.

Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório.

Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado por narrativas previamente construídas.

Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.

A decisão tomada por este Conselho encerra um processo de natureza política.

Respeito essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer irregularidade.

Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.

Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral.

Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.

Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu respeito e confiança.

Tenho absoluta convicção de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e da instituição.