Uniforme principal virou símbolo do clube desde 2007, entre superstição, identidade e resultados históricos
Foto: Divulgação/Mirassol Quem acompanha o futebol brasileiro já se acostumou a ver o Mirassol em campo vestindo o amarelo e protagonizando feitos históricos. Em 2025, o Leão Caipira surpreendeu ao terminar a Série A na quarta colocação e garantir vaga na Libertadores logo em sua estreia na elite nacional.
Mas você se lembra de alguma partida recente em que o Mirassol não tenha usado a camisa amarela? A resposta é difícil. Ao longo de toda a campanha do Brasileirão, a equipe praticamente não alternou o uniforme principal. Para se ter ideia, os últimos 49 jogos do clube foram disputados com a camisa amarela.
Das 38 rodadas do Campeonato Brasileiro, o uniforme principal foi utilizado em 37 delas. A única exceção aconteceu na 19ª rodada, contra o Flamengo, quando o Mirassol entrou em campo com um uniforme especial em homenagem à seleção brasileira.
Já o segundo uniforme, branco, não aparece há exatamente um ano. A última vez foi no dia 1º de fevereiro de 2025, na vitória por 1 a 0 sobre o Velo Clube, com gol de Matheus Davó — o único do atacante pelo clube e justamente vestindo a camisa alternativa.
Curiosamente, será esse uniforme branco que o Mirassol voltará a usar neste sábado, às 15h, diante do São Bernardo, fora de casa, pela quinta rodada do Paulistão. Como ambas as equipes utilizam o amarelo, o Leão Caipira precisará recorrer à segunda camisa.
A relação do clube com suas cores, no entanto, vai além de coincidências recentes e passa também pela superstição. Em 2007, a mudança definitiva para o amarelo aconteceu por pedido do então técnico Luiz Carlos Martins, conhecido no interior paulista como o “Rei do Acesso”.
Em entrevista ao ge, o treinador revelou que costumava recorrer à troca de uniforme durante os jogos quando sentia que o time não estava bem.
– Era superstição, mas sempre para o lado positivo. Foi assim que conseguimos o acesso para a primeira divisão do Campeonato Paulista – disse o atual comandante do Bandeirante.
Naquele ano, o Mirassol conquistou um acesso inédito à elite estadual, coincidindo com o abandono da cor verde como predominante. Luiz Carlos Martins explicou que também havia um incômodo com a semelhança em relação a outros clubes da época.
– Eles fizeram várias opções: verde com branco, branco com verde. Aí eu falei: tá bom, mas faz também um uniforme amarelo, amarelo ouro mesmo, bem vivo, para chamar a atenção de forma positiva. Porque vamos disputar o Paulistão. Palmeiras é verde, Guarani também, o União São João, já tinha três times de verde, seríamos o quarto.
– E eu falei lá: ‘Se a gente for com uniforme amarelo, tem destaque, mantemos o time na primeira divisão, não vamos cair’ – afirmou.
Entre superstição, identidade visual e resultados esportivos, o amarelo deixou de ser apenas uma escolha estética e se tornou um dos símbolos mais fortes da história do Mirassol.