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Chegada de Rafinha pressiona trabalho de Crespo no São Paulo

Novo gerente esportivo e falas do presidente aumentam questionamentos sobre o técnico em meio à luta contra o rebaixamento no Paulistão

Por: Neila Gonçalves
3 horas atrás em 27 de janeiro de 2026
Foto: Gávea News

A mudança no comando do futebol do São Paulo e as recentes declarações da diretoria aumentaram a pressão sobre o técnico Hernán Crespo. A chegada de Rafinha como novo gerente esportivo, oficializada nesta terça-feira, acontece em um momento delicado do clube, que convive com resultados irregulares e o risco de rebaixamento no Campeonato Paulista.

Com apenas uma vitória nas primeiras cinco rodadas, o desempenho do Tricolor passou a ser questionado internamente. A situação se agravou após a derrota no clássico contra o Palmeiras, quando declarações do treinador argentino na entrevista coletiva repercutiram negativamente nos bastidores.

Na ocasião, Crespo saiu em defesa do elenco e afirmou que os jogadores enfrentam atrasos salariais.







“Há meses não ganham salário”.

A diretoria, porém, rebateu a fala e sustentou que os salários estão em dia, com pendências apenas nos direitos de imagem. Segundo Rafinha, já existe um acordo encaminhado para regularizar os valores ainda nesta semana.

Outro ponto que gerou desconforto foi o discurso do treinador ao tratar dos objetivos da temporada. Crespo afirmou que a principal meta do clube seria alcançar 45 pontos no Campeonato Brasileiro e evitar o rebaixamento. A fala não foi bem recebida pelo novo presidente Harry Massis Júnior, que discordou publicamente do treinador no dia seguinte, após a final da Copinha.

– Nós não vamos pensar em 45. Nós temos que subir mais, nossa… Nós temos que tentar uma classificação para a Libertadores. Tem o oitavo lugar, tem esse lugar assegurado. Então nós temos que pensar nisso. Ele (Crespo) foi muito modesto – disse Massis.

A chegada de Rafinha ao cargo de gerente esportivo ocorre justamente nesse contexto de instabilidade. O ex-lateral terá como uma de suas principais missões resgatar o ambiente interno e elevar o nível de confiança do elenco para a sequência da temporada, em um momento em que o próprio treinador demonstra pessimismo quanto aos resultados.

Durante participação no programa Seleção sportv, Rafinha fez críticas ao discurso adotado recentemente no clube e defendeu uma mudança de postura.

– O São Paulo tem que resgatar isso. Mas desse jeito, sem soberba, sem ficar achando que a história vai levar o São Paulo, não leva mais. Infelizmente, o São Paulo ficou parado. Eu estive lá três anos como atleta. Agora, também não é terra arrasada. Discurso de fracassado, de já entrar sofrendo, não cabe mais também. Isso aí também não vai acontecer. Não pode acontecer.


Na sequência, o novo dirigente reforçou a necessidade de olhar para frente e recuperar a identidade do clube.

– Vamos olhar para frente. O São Paulo é um clube gigante, foi muito feliz, era modelo. Ficou parado agora esse discurso de perdedor, de fracassado, de medo, não cabe. É um desafio muito grande na minha vida, espero poder ajudar da melhor forma – afirmou Rafinha.

Apesar do cenário político conturbado e das limitações financeiras, a diretoria entende que o desempenho do time poderia ser melhor. Desde que assumiu, em junho do ano passado, Crespo soma 37 partidas à frente do São Paulo, com 14 vitórias, seis empates e 17 derrotas, alcançando aproveitamento de 43%.

O treinador também demonstrou insatisfação com o planejamento para a temporada e afirmou que aguardava a chegada de seis reforços para 2026. Até o momento, apenas o goleiro Carlos Coronel, o zagueiro Dória e o volante Danielzinho foram contratados.

Massis, por sua vez, confirmou que dará continuidade às negociações já iniciadas, mas deixou claro que o clube não tem margem para novos investimentos e pretende aproveitar os jogadores formados na base, que foram vice-campeões da Copinha.

– Nós temos as propostas, como eu já falei outro dia, em andamento. Essas nós vamos manter. Para novas propostas, não temos condição. Eles (torcedores) precisam entender a nossa situação e precisam nos apoiar. Esses 45 pontos s muito pouco para o São Paulo. Nós temos que estar mais em cima. Agora, contratação é difícil – disse Massis.

Nesse cenário, o nome de Allan Barcellos ganhou força nos bastidores. O técnico do sub-20 é bem avaliado pelo trabalho de formação de jovens e surge como alternativa em caso de mudança no comando, especialmente pela falta de recursos para contratações.

Apesar do prestígio interno, a pouca experiência de Barcellos no futebol profissional é vista como um obstáculo. Aos 33 anos, ele nunca comandou uma equipe principal e gera dúvidas sobre como lidaria com a pressão no momento atual.

Enquanto as indefinições seguem fora de campo, o São Paulo tenta reagir dentro dele. Além da luta contra o rebaixamento no Paulistão, o Tricolor estreia no Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira, às 21h30, contra o Flamengo, no Morumbis.