Luiz Torrano fala em cenário complicado e pede apoio da torcida diante do risco de rebaixamento no Paulistão
Reprodução Quase rebaixada no Campeonato Paulista e enfrentando uma grave crise financeira, a Ponte Preta atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Com salários atrasados e dificuldades para honrar compromissos básicos, o presidente Luiz Torrano falou pela primeira vez desde o início da temporada e fez um diagnóstico duro da situação do clube.
Em entrevista ao GE, Torrano afirmou que só passou a atuar plenamente como presidente semanas depois de ser eleito, em meio a trâmites jurídicos e ao recesso institucional. Nesse período, segundo ele, as dívidas continuaram a crescer, agravando ainda mais o cenário encontrado pela nova gestão.
“Nos primeiros 15 dias de gestão foram gastos praticamente R$ 5 milhões, somando CNRD, salários e outros custos para realização dos jogos e das atividades do dia a dia. E tudo isso com o nosso caixa zerado. Tivemos que buscar esses recursos para manter o clube ativo. É um cenário muito complicado”, afirmou.
De acordo com o dirigente, a prioridade inicial foi evitar o colapso financeiro da instituição e manter o funcionamento básico do clube, mesmo com receitas limitadas e bloqueios herdados de gestões anteriores.
“Quando eu disse que o clube vai ser um sucesso, quis dizer que ele vai entrar no eixo. Isso neste ano? Talvez não. No ano que vem? Espero que comece. O projeto é para dez anos. Levaram 20 anos para escangalhar o clube. Não dá para consertar do dia para a noite.”, disse Torrano, ao reforçar que o projeto de recuperação da Ponte é de longo prazo.
Dentro de campo, a Macaca vive situação dramática no Paulistão e precisa vencer seus jogos restantes, além de contar com combinações de resultados, para tentar escapar do rebaixamento.
“Eu já queria ter sucesso no Campeonato Paulista desde já. Esse era o meu anseio. A gente não vai desistir e vai lutar pela permanência até o fim. A esperança é a última que morre. Até porque, se nos mantivermos na elite estadual, isso vai facilitar a nossa chegada ao sucesso que citei no começo da entrevista. Se a gente for rebaixado, voltamos à estaca zero. Então, qual é o meu sentimento? O mesmo da torcida. Estou entristecido. Muitos jogadores deixaram o clube no começo do ano porque queriam a vitrine de jogar um Paulistão, de enfrentar um Corinthians, mas não deu certo. Sempre foi consenso de toda a diretoria, incluindo o departamento de futebol, que não ficaríamos com jogadores que não estão interessados em defender o clube.”
Fora dele, o presidente aposta no apoio da torcida como peça-chave para atravessar a crise.
“Sem a torcida, a Ponte Preta será fechada”, concluiu.