Apuração do Conselho Fiscal identifica quase R$ 500 mil em despesas no cartão corporativo; valores foram devolvidos posteriormente com correção e juros
Foto: Divulgação/São Paulo Uma análise conduzida pelo Conselho Fiscal do São Paulo revelou que o ex-presidente Julio Casares acumulou aproximadamente R$ 500 mil em gastos pessoais utilizando o cartão corporativo do clube durante sua administração. A quantia foi ressarcida posteriormente, já no segundo semestre do último ano, acrescida de juros e correção monetária.
Entre as despesas apontadas estão serviços de salão de beleza e compras em lojas de grife. As informações vieram à tona após a solicitação dos extratos do cartão pelo Conselho Fiscal. Segundo apuração, desde o início da gestão, em 2021, não havia sido feita uma prestação de contas formal referente ao uso do recurso.
O levantamento ocorre em meio ao cenário financeiro delicado enfrentado pelo Tricolor nos últimos anos, período marcado por dificuldades de fluxo de caixa, atrasos salariais e desafios no pagamento de direitos de imagem.
Fontes ouvidas indicaram que, à época, o clube não possuía uma norma específica que determinasse prazos para devolução de despesas pessoais realizadas com o cartão corporativo. Após o episódio e o reembolso dos valores, uma política interna foi criada para regulamentar a utilização, iniciativa liderada pelo departamento de compliance.
A ausência anterior de regras claras e de fiscalização mais rigorosa por parte do setor financeiro gerou desconforto entre conselheiros e diferentes grupos políticos do clube. Por outro lado, há quem defenda que o Código de Ética e Conduta já estabelecia parâmetros suficientes para orientar o uso responsável do cartão.
Em média, segundo o relatório, o ex-presidente registrou cerca de R$ 8 mil mensais em despesas pessoais no cartão ao longo de sua gestão.
Procurado, Julio Casares se manifestou por meio de nota enviada por seus advogados:
— “Os advogados Daniel Leon Bialski e Bruno Garcia Borragine, que representam Julio Cesar Casares, afirmam que seu constituinte reembolsou integralmente eventuais despesas que não se afigurassem integralmente consequentes da função por ele desempenhada no SPFC. Esclareça-se ademais que, diante da anterior inexistência de regulamentação própria, foi Julio Cesar Casares quem, de forma inovadora e em vista das melhores práticas, solicitou ao Núcleo de Compliance a elaboração de regulamento próprio disciplinando o uso de cartões corporativos pelos Departamentos, sobrevindo a vanguardista Política de Uso de Cartão Corporativo, que foi aprovada pelo Conselho de Administração do SPFC.”
Os diretores de Compliance e Jurídico também foram procurados. Roberto Armelin optou por se posicionar via assessoria do clube, enquanto Sérgio Pimenta não respondeu às tentativas de contato.
Em nota oficial, o São Paulo explicou as medidas adotadas após a identificação das inconsistências:
— **”Com relação ao cartão corporativo disponibilizado ao então presidente, o departamento financeiro detectou a necessidade de um aprimoramento no processo de acompanhamento da utilização.
Com isso, houve o ajuste dos processos e o ex-presidente realizou o reembolso dos valores, com adição de juros e correção monetária.
Após o caso, houve a solicitação ao departamento de Compliance pela a elaboração de uma nova política de uso dos cartões, que passou a vigorar desde então”.