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Élio Sizenando valoriza trajetória antes de encarar Palmeiras

Técnico do Capivariano, há quase cinco anos no clube, enfrenta Abel Ferreira nas quartas em confronto entre os treinadores mais longevos do Estadual

Por: Neila Gonçalves
3 horas atrás em 21 de fevereiro de 2026
Foto: Bruno Cruz

A partida entre Palmeiras e Capivariano válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, não coloca apenas duas equipes em lados opostos. O confronto também evidencia duas trajetórias construídas com permanência no comando técnico — algo cada vez mais raro no futebol brasileiro.

Enquanto Abel Ferreira já soma anos de estabilidade e títulos no Palmeiras, o Capivariano chega à decisão estadual sustentado por um projeto de médio prazo liderado por Élio Sizenando. No clube desde o fim de 2021, o treinador de 54 anos vive agora a primeira experiência na elite do Paulistão após uma caminhada longa e gradual.

A trajetória até aqui passou por décadas de trabalho nas categorias de base antes da consolidação no profissional. Ao falar sobre o momento atual, Élio relembrou os desafios enfrentados até alcançar o principal campeonato do estado.

— “Tornar-se um treinador profissional no Brasil é muito difícil. Eu não tinha essa pretensão de ser treinador. Fui estudar, fazer educação física, aí acabei entrando para o futebol. Fiquei muito tempo na base, trabalhando. Precisava pagar as contas, tive filho, às vezes no futebol profissional você não tem essa sequência. Agora estou no meu quinto ano aqui, quase o sétimo como profissional ao todo, com um currículo maior.”

— “Muito tempo para chegar nesse momento, depois de 20 anos da primeira competição de base consigo fazer meu primeiro Paulistão. Tem que ficar feliz, tem que se emocionar. Graças a Deus as coisas estão caminhando e caminhando bem.”

O crescimento do Capivariano não aconteceu por acaso. O clube saiu da Série A3, conquistou o título da divisão e confirmou o acesso à elite após vencer a Série A2. Parte significativa do elenco foi mantida, reforçando a identidade da equipe e garantindo resultados que ultrapassaram o objetivo inicial da permanência — incluindo vaga na Série D de 2027 e presença assegurada na próxima Copa do Brasil.

— “A gente tinha a mentalidade de manter a equipe na elite. Era o primeiro objetivo. As coisas deram certo. Quase 70% do nosso elenco estava na Série A2. É um grupo vencedor. Tivemos tranquilidade e paciência também. Não sou de me emocionar. Meus filhos falam que nunca viram o pai chorar. A vida é difícil, chegar onde a gente chegou, foram mais de 20 anos batalhando. A vida é feito de sonhos.”

O encontro na Arena Barueri representa um choque de estágios: de um lado, um elenco acostumado a disputar títulos; do outro, uma equipe que construiu sua presença na elite degrau por degrau. Para o treinador do Capivariano, a simples participação já carrega peso histórico.

— “Foi um feito muito importante para nós. Nunca tinha disputado um Paulistão. Vários jogadores nossos também não tinha atuado nesse nível ainda.”