Técnico do Capivariano, há quase cinco anos no clube, enfrenta Abel Ferreira nas quartas em confronto entre os treinadores mais longevos do Estadual
Foto: Bruno Cruz A partida entre Palmeiras e Capivariano válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, não coloca apenas duas equipes em lados opostos. O confronto também evidencia duas trajetórias construídas com permanência no comando técnico — algo cada vez mais raro no futebol brasileiro.
Enquanto Abel Ferreira já soma anos de estabilidade e títulos no Palmeiras, o Capivariano chega à decisão estadual sustentado por um projeto de médio prazo liderado por Élio Sizenando. No clube desde o fim de 2021, o treinador de 54 anos vive agora a primeira experiência na elite do Paulistão após uma caminhada longa e gradual.
A trajetória até aqui passou por décadas de trabalho nas categorias de base antes da consolidação no profissional. Ao falar sobre o momento atual, Élio relembrou os desafios enfrentados até alcançar o principal campeonato do estado.
— “Tornar-se um treinador profissional no Brasil é muito difícil. Eu não tinha essa pretensão de ser treinador. Fui estudar, fazer educação física, aí acabei entrando para o futebol. Fiquei muito tempo na base, trabalhando. Precisava pagar as contas, tive filho, às vezes no futebol profissional você não tem essa sequência. Agora estou no meu quinto ano aqui, quase o sétimo como profissional ao todo, com um currículo maior.”
— “Muito tempo para chegar nesse momento, depois de 20 anos da primeira competição de base consigo fazer meu primeiro Paulistão. Tem que ficar feliz, tem que se emocionar. Graças a Deus as coisas estão caminhando e caminhando bem.”
O crescimento do Capivariano não aconteceu por acaso. O clube saiu da Série A3, conquistou o título da divisão e confirmou o acesso à elite após vencer a Série A2. Parte significativa do elenco foi mantida, reforçando a identidade da equipe e garantindo resultados que ultrapassaram o objetivo inicial da permanência — incluindo vaga na Série D de 2027 e presença assegurada na próxima Copa do Brasil.
— “A gente tinha a mentalidade de manter a equipe na elite. Era o primeiro objetivo. As coisas deram certo. Quase 70% do nosso elenco estava na Série A2. É um grupo vencedor. Tivemos tranquilidade e paciência também. Não sou de me emocionar. Meus filhos falam que nunca viram o pai chorar. A vida é difícil, chegar onde a gente chegou, foram mais de 20 anos batalhando. A vida é feito de sonhos.”
O encontro na Arena Barueri representa um choque de estágios: de um lado, um elenco acostumado a disputar títulos; do outro, uma equipe que construiu sua presença na elite degrau por degrau. Para o treinador do Capivariano, a simples participação já carrega peso histórico.
— “Foi um feito muito importante para nós. Nunca tinha disputado um Paulistão. Vários jogadores nossos também não tinha atuado nesse nível ainda.”