Novo presidente detalha crise milionária, fala sobre SAF e convoca torcida para ajudar na reconstrução do clube
Foto: Divulgação / EC São Bento O São Bento atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Após a queda para a Série A3 do Campeonato Paulista e a saída do então presidente Almir Laurindo, o vice Florísio Viana assumiu o comando do clube até o fim do mandato.
Em meio a uma sequência negativa que inclui seis rebaixamentos desde 2019, o novo dirigente terá como principal missão reorganizar as finanças e tentar recolocar o time nos trilhos.
Apesar do cenário complicado, Viana evita falar em eleições neste momento e garante que o foco está totalmente voltado à gestão até outubro.
Ao comentar sobre o novo desafio, o presidente destacou o peso da responsabilidade e a importância do cargo.
– Já estou há cinco anos na diretoria como vice-presidente. Com a saída dele (Almir Laurindo), assumi como presidente. Em outubro teremos eleições, mas até lá é um grande desafio, devido aos compromissos que tenho diariamente. Ao mesmo tempo, é uma honra enorme ser presidente de um clube centenário como o São Bento. Vou fazer o possível para que o São Bento seja bem administrado nesse período.
A situação financeira é o principal ponto de preocupação. Segundo ele, o rebaixamento agravou um cenário que já vinha sendo difícil, com dívidas acumuladas ao longo dos anos.
– A situação não é confortável, principalmente após o rebaixamento. Como todo clube, muitas dívidas vêm do passado e hoje não há dinheiro em caixa para pagar tudo. O São Bento é uma associação mas temos que pensar como uma empresa. Vamos lançar campanhas para levantar fundos e quitar, passo a passo, os credores mais importantes sem deixar ninguém para trás. Conto muito com a ajuda do torcedor. Qualquer valor faz diferença para equilibrar o fluxo de caixa.
Atualmente, o clube carrega uma dívida estimada em cerca de R$ 12,5 milhões, além de despesas mensais que chegam a R$ 75 mil, o que impacta diretamente no planejamento esportivo.
– A dívida geral gira em torno de R$ 12,5 milhões. Pois cada ano que passa tem juros, correção monetária, então isso só vai subindo. Temos uma despesa mensal de cerca de R$ 75 mil — R$ 50 mil de dívidas e R$ 25 mil de folha de funcionários. Esse valor costuma sair de cotas e patrocínios, o que limita a formação do elenco para disputar os campeonatos.
Parte dos problemas também envolve valores não recebidos após um acordo firmado durante a disputa da Série A2, o que aumentou ainda mais a pressão financeira.
– Fizemos uma cogestão no início do campeonato, com um aporte prometido de R$ 500 mil pelo grupo do Rodrigo Pastana. Eles honraram cerca de R$ 240 mil, mas o restante não foi pago. Esse valor é o que falta para quitar jogadores e comissão técnica. Como já se manifestaram que não vão dar continuidade, provavelmente esse valor não virá, então precisamos nos reorganizar e seguir em frente.
– A dívida atual recente, para que a gente feche até o mês de abril, é de mais ou menos uns R$ 500 mil, onde inclui rescisões, direitos de imagem, compromissos e parcelamentos de dívidas. Esse é o valor a se pagar e sanar isso tudo. Temos um valor a receber na Federação Paulista decorrente da cota da Série A2 e acredito que empresários, amigos e fornecedores possam nos ajudar nessa fase tão difícil, que não vem de hoje. Vamos nos reorganizar para que juntos possamos reerguer o São Bento e fazer uma Série A3 no ano que vem com seriedade e com futebol bonito.
A possível transformação em SAF segue em pauta, mas o dirigente adota cautela e reforça que a medida exige responsabilidade.
– A SAF é bem-vinda, mas não é solução mágica. Já apareceram propostas, mas muitas não atendem às necessidades do São Bento. Precisamos de pessoas sérias, que entendam a situação e tragam aportes para quitar dívidas e investir no clube. Se não houver análise cuidadosa, a SAF pode trazer mais problemas. Estamos abertos a conversar e buscar alternativas, mas sempre pensando no que é melhor para o São Bento.
No campo esportivo, o clube ainda não definiu se disputará a Copa Paulista, decisão que depende diretamente da reorganização financeira nas próximas semanas.
– Só teremos uma definição em meados de abril. Primeiro precisamos ver se conseguimos sanar dívidas e organizar a casa. Não podemos entrar em um campeonato sem resolver pendências anteriores. Se houver apoio de torcedores, patrocinadores e prefeitura, há chance de disputar. Mas reforço: é fundamental que o torcedor seja sócio.
Por fim, Viana fez um apelo direto à torcida, destacando que a participação dos torcedores pode ser determinante neste momento de reconstrução.
– O torcedor pode e deve ajudar. A principal forma é virar sócio e contribuir mensalmente. Isso garante recursos para pagar custos operacionais do CT e funcionários. Também temos ações como doações via Pix, que ajudam em despesas do dia a dia. Hoje temos apenas 350 sócios, um número muito baixo para uma cidade de quase 1 milhão de habitantes. Se cada torcedor contribuísse com R$ 5 ou R$ 10, já faria enorme diferença. É só entrar em contato pelas nossas redes sociais.
– Estou há 15 dias na administração e já tomei medidas para reduzir custos, mas precisamos de apoio coletivo. Acredito que, com um mutirão até 15 de abril, conseguiremos colocar a casa em ordem e pensar na Copa Paulista. Quem sabe até buscar uma Copa do Brasil ou uma Série D no futuro.