Sem acordo entre Corinthians e Palmeiras, caso envolvendo Luighi avança e será analisado pelo Ministério Público
Foto: Divulgação/Meu TimãoCorinthians e Palmeiras não chegaram a um acordo após a confusão registrada no último domingo, na Neo Química Arena, e o caso agora seguirá para análise do Ministério Público. O episódio ganhou novos desdobramentos após o registro formal feito pelo atacante Luighi, que relatou ter sido agredido por um integrante da comissão corintiana.
A ocorrência foi direcionada ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), onde, além do jogador palmeirense, cinco seguranças do clube também prestaram depoimento e passaram por exames de corpo de delito. A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), sob responsabilidade do delegado Cesar Saad, que apontou falta de clareza nas imagens disponíveis, já que os registros mostram apenas empurrões generalizados entre atletas, membros das comissões técnicas e funcionários.
Em entrevista, Saad detalhou como a confusão teve início e quais serão os próximos passos da apuração:
“Qual foi a confusão que aconteceu e quais serão os próximos passos? Nós fomos acionados aqui no final da partida, que na zona mista houve um tumulto, primeiro uma discussão entre os atletas e nós estamos agora já pedindo as imagens para o Corinthians para que a gente possa apurar o que de fato aconteceu, o que chegou para nós aqui e que houve uma discussão que começou com os atletas e que outras pessoas da comissão técnica, dos clubes e seguranças teriam se envolvido, então a gente está agora apurando as imagens, nós estamos analisando as imagens para conseguir de fato entender o que aconteceu, mas o que tudo indica é uma discussão pós final de jogo que começou, teve início com os atletas.”
O delegado também comentou sobre os relatos envolvendo possíveis agressões e explicou o trabalho de identificação dos envolvidos:
“A gente viu que o Luiz passou aqui, há alguns relatos, o Corinthians já colocou oficialmente que o Gabriel Paulista e também o segundo jogador, o Bidon, também foram agredidos, eles não vieram, eles estarão aqui para prestar o depoimento ou só o Luiz vai prestar? Isso, a gente já conversou com os atletas, tem algumas imagens parciais que foram filmadas de celular ali da zona mista que apontam esse empurra-empurra, então por isso que nesse momento a gente está analisando as imagens para individualizar a conduta e poder entender o que de fato aconteceu.”
Sobre os procedimentos legais, Saad confirmou a realização de exames de corpo de delito:
“Vão fazer corpo de delito? Sim, vão. Todos que estão aqui já na delegacia vão passar para o exame de corpo de delito aqui mesmo no IML do Jeclin.”
O delegado ainda destacou que a formalização das denúncias depende da decisão dos envolvidos:
“Sim, nós ainda estamos analisando todas as imagens para que se os atletas entenderem que eles querem fazer, se o clube orienta-los a fazer, se eles entenderem que eles foram vítimas, aí sim. A gente já teve alguns depoimentos também de que não passou de uma discussão acalorada de um empurra-empurra, entre aspas, normal de um clássico como esse, então por isso que a gente ainda está aguardando a gente conversar com o departamento jurídico do clube, dos clubes e com os atletas.”
Por fim, esclareceu o motivo de o caso ter avançado com base na denúncia do atacante palmeirense:
“Não, na verdade a questão é que o atleta do Palmeiras ele quer representar contra o funcionário do Corinthians, contra o integrante da comissão técnica que ele alega que teria despedido um tapa nele, é isso, por isso que ele já está aqui nada. Quem é esse funcionário? Seria um integrante da comissão técnica do Corinthians.”
Durante o andamento inicial do caso, representantes do Corinthians sugeriram um acordo para encerrar a ocorrência sem formalização no Jecrim, proposta recusada pelo Palmeiras. O clube alviverde optou por seguir com a denúncia, com Luighi prestando depoimento oficial às autoridades.
Do lado corintiano, os jogadores Gabriel Paulista e Breno Bidon também alegaram terem sido agredidos por seguranças do Palmeiras, mas decidiram não formalizar queixa no processo.
Em audiência de conciliação, o Ministério Público propôs que os envolvidos realizassem o pagamento de multa equivalente a cinco salários mínimos, destinada a uma instituição de caridade. No entanto, a sugestão foi rejeitada por todas as partes, que consideraram a medida inadequada diante do contexto.
Sem consenso, o caso seguirá agora para uma nova etapa de apuração. O Ministério Público deve solicitar imagens adicionais, ouvir testemunhas e, a partir disso, decidir se arquiva o processo ou encaminha o episódio para julgamento no próprio Juizado Especial Criminal.