Briosa oscilou na primeira fase, mostrou poder de reação no mata-mata e coroou campanha de superação com a taça diante do Marília
Foto: João Jardim/Agência BriosaA Portuguesa Santista encerrou o último domingo, 26 de abril, em festa e com um capítulo inesquecível escrito em sua história. Diante de sua torcida, a Briosa venceu o Marília por 2 a 0 e confirmou o título do Campeonato Paulista Série A3, fechando a decisão com 4 a 2 no placar agregado. Mais do que a conquista, o troféu premiou uma trajetória construída com resistência, evolução e crescimento nos momentos em que a competição mais exigiu equilíbrio emocional e capacidade de decisão.
A campanha santista começou cercada por expectativa e com sinais de que a equipe brigaria na parte de cima da tabela. Logo na estreia, a Portuguesa mostrou força ao bater o Bandeirante fora de casa por 2 a 1. Na sequência, emplacou vitórias sobre USAC, Rio Branco e uma goleada convincente por 4 a 0 diante do Desportivo Brasil, resultados que rapidamente colocaram a Briosa entre os protagonistas da primeira fase.
Mesmo bem posicionada, o time não atravessou a classificação sem turbulências. Houve tropeços em confrontos importantes, como as derrotas para Paulista, Marília e União São João, que ligaram o alerta sobre a regularidade da equipe. Ainda assim, a Portuguesa teve mérito ao não deixar as oscilações derrubarem seu rendimento. Pelo contrário: respondeu com maturidade, venceu jogos fundamentais na reta final e fechou a fase classificatória em alta, com triunfos marcantes sobre São Bernardo e União Barbarense, ambos por 3 a 0. A arrancada serviu para consolidar a confiança de um elenco que chegaria ao mata-mata mais preparado para lidar com pressão.
Se a primeira fase foi de construção, as quartas de final foram de prova de fogo.
Contra o Paulista de Jundiaí, a Briosa conheceu talvez seu momento mais delicado na competição. Derrotada por 2 a 1 no jogo de ida, a equipe foi obrigada a buscar a reação no Ulrico Mursa. Em um confronto de nervos à flor da pele, venceu por 1 a 0, devolveu a desvantagem no agregado e precisou das penalidades para sobreviver. Nos pênaltis, a Portuguesa Santista mostrou frieza impressionante e avançou por 8 a 7 em uma das classificações mais dramáticas de todo o campeonato.
A partir dali, a sensação era de que a Briosa havia encontrado definitivamente sua casca competitiva.
Na semifinal, diante do Rio Preto, a equipe apresentou um comportamento mais maduro e menos ansioso. Venceu fora de casa por 1 a 0 e, administrando a vantagem com inteligência, empatou por 1 a 1 em Santos para carimbar a vaga na final. Sem precisar de novo sofrimento extremo, a Portuguesa demonstrou evolução tática e emocional, sinalizando que chegava no momento certo ao auge dentro do torneio.
A decisão reservou um reencontro pesado: o Marília, adversário qualificado e que já havia imposto dificuldades durante a campanha. No primeiro duelo, no interior, a final ficou aberta após empate por 2 a 2, resultado que transferiu toda a responsabilidade e a oportunidade para o Ulrico Mursa.
E foi em casa que a Briosa transformou confiança em título.
Empurrada pelas arquibancadas, a Portuguesa Santista fez uma atuação segura, controlou os momentos de pressão e foi eficiente para vencer por 2 a 0, levantando a taça de maneira incontestável. O time mostrou a serenidade de quem aprendeu com os próprios tropeços e soube usar cada momento de dificuldade como combustível para amadurecer dentro da competição.
O título estadual evidencia exatamente isso: a Portuguesa Santista não foi a equipe de campanha perfeita, mas foi a equipe que melhor entendeu como sobreviver, se reinventar e crescer quando os confrontos passaram a valer permanência ou eliminação.
Foi campeã porque soube ser competitiva quando a margem para erro desapareceu.
E, por isso, a taça conquistada diante do Marília carrega muito mais do que o peso de um resultado: representa a afirmação de um time que encontrou nas decisões a sua versão mais forte.




