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Roger Machado explica testes, exalta jovens e valoriza empate do São Paulo

Treinador aposta em formação alternativa, elogia jovens e destaca dificuldade física no empate com o Millonarios

Por: Neila Gonçalves
8 horas atrás em 29 de abril de 2026
Foto: Reprodução/São Paulo TV

O São Paulo deixou a Colômbia com um ponto importante na bagagem e a liderança mantida no Grupo C da Copa Sul-Americana. Após o empate sem gols com o Millonarios, o técnico Roger Machado explicou que as diversas mudanças promovidas na equipe não foram apenas testes simples de elenco, mas sim parte de uma estratégia montada especificamente para suportar o estilo do adversário e as dificuldades impostas pela altitude de Bogotá.

Com vários titulares preservados e uma formação diferente da habitual, o treinador apostou em um São Paulo mais físico e protegido defensivamente, atuando no esquema 3-5-2. Segundo Roger, a leitura do confronto foi determinante para a montagem da equipe.

“Não fiz testes pensando em uma evolução somente da nossa equipe. Eu adaptei o que nós íamos enfrentar em um ambiente de altitude, de atmosfera de estádio de competição Sul-Americana. Sabia que o adversário iria utilizar muito as bolas aéreas, é quem mais cruza bola no Campeonato Colombiano, e usar inversões”, explicou.

Na avaliação do treinador, o Tricolor conseguiu executar bem a proposta durante a primeira etapa, principalmente explorando o espaço nas costas da defesa colombiana com André Silva e Tapia. Roger destacou a movimentação dos atacantes e a entrega coletiva da equipe.

“Penso que fizemos um bom primeiro tempo com dois atacantes à frente, André e Tapia, para conseguir acessar as costas da linha adversária. Tapia rodou muito no campo, se doou pelo coletivo”, afirmou.

Já na etapa final, com o Millonarios tendo mais posse e impondo pressão através de cruzamentos e inversões, Roger precisou reorganizar o sistema para tentar proteger o time e buscar contra-ataques. O técnico reconheceu, porém, que o desgaste físico causado pela altitude influenciou diretamente nas tomadas de decisão.

“No segundo tempo, quando o adversário teve mais controle da bola, começou a inverter de lado e cruzando, coloquei dois pontas rápidos para que tentássemos contra-atacar e marcar a primeira fase do jogo deles com jogadores de beirada no 5-4-1. Faltou um encaixe e uma melhor tomada de decisão.”

Na sequência, ele voltou a enfatizar o peso das condições atmosféricas no rendimento da equipe.

“Mas já no segundo tempo com a falta de oxigênio da altitude você toma decisões mais equivocadas, mas penso que quando levamos pontos nesse contexto de altitude temos sempre que comemorar”, completou.

Além da parte tática, Roger aproveitou a entrevista para elogiar os jovens que ganharam oportunidade entre os titulares e corresponderam em um cenário considerado delicado. O goleiro Coronel, o lateral Nicolas e o volante Djhordney estiveram entre os nomes observados mais de perto pelo treinador.

“O que eu frisei para todos que trouxe para a viagem e levei para campo é que eles possam ter confiança desde a nossa chegada, que vamos oportunizar chance para quem está treinando e se destacando. A entrada do Coronel era oportunidade e merecimento.”

Sobre Nicolas, Roger revelou uma conversa direta antes da partida e elogiou a personalidade demonstrada pelo garoto.

“Chamei e disse que ele iria jogar, que pensava que ele tinha capacidades que poderiam nos ajudar nessa partida. Para o Wendell, disse que oportunizaria chance para o Nicolas para que pudéssemos senti-lo em jogo internacional, e penso que se comportou muito bem. Djhordney também jogou com naturalidade dentro de campo.”

O comandante ainda fez questão de frisar que o processo de utilização da base precisa acontecer dentro de uma estrutura sólida e com respaldo de atletas mais experientes.

“Dois, três jogadores jovens dentro de uma estrutura com os mais experientes vão crescendo, e esse é o processo.”

Por fim, Roger voltou a comentar especificamente sobre a altitude e reforçou que, apesar de não gostar de supervalorizar o fator para não contaminar psicologicamente os atletas, o impacto físico é inevitável.

“Tem um efeito físico, evidentemente. Há uma menor capacidade de se manter na partida fisicamente. Do minuto 30 em diante, você percebe o sofrimento no rosto dos jogadores pelo tanto que se dedicaram em uma altitude de 2600m. Mas penso que conseguimos, de maneira organizada, minimizar os efeitos da altitude.”

Com o empate fora de casa, o São Paulo chega aos sete pontos e segue isolado na liderança do grupo, mantendo cenário favorável na busca pela classificação à próxima fase da competição continental.

Confira a coletiva completa: