Paraná, Marinho Peres e Luís Pereira foram formados pelo Azulão e representaram o Brasil em Mundiais
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal Marinho PeresA história do São Bento está diretamente ligada à Seleção Brasileira e às Copas do Mundo. Ao longo de sua trajetória, o clube sorocabano revelou três jogadores que defenderam o Brasil em Mundiais: Paraná, Marinho Peres e Luís Pereira. Embora tenham alcançado projeção nacional em outras equipes, os três ficaram marcados como atletas formados pelo Azulão.
Ademir de Barros, conhecido como Paraná, atuou pelo São Bento entre 1960 e 1964, retornando ao clube em 1978. Durante sua passagem, disputou 136 partidas, marcou 42 gols e distribuiu 26 assistências.
Em 1965, foi negociado com o São Paulo e, posteriormente, conquistou espaço na Seleção Brasileira. Pela equipe nacional, disputou 11 partidas e esteve na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, participando do confronto diante de Portugal.
Em entrevista concedida ao ge em 2012, Paraná relembrou o ambiente vivido pela Seleção durante o torneio.
– Em 1958 e 1962 tinha o Paulo Machado de Carvalho (como chefe de delegação). Mas ele já não estava no ano que eu fui convocado e começou um bairrismo. O pessoal do Rio tirou todo mundo e o time perdeu o comando, a identidade. O Paulo brincava com a gente, era um chefe de delegação diferente. Em 1966 ninguém tinha vontade de jogar, contra Portugal não tinha jogador para escalar. Eu mesmo estava machucado, mas disse que poderia jogar e joguei.
O ex-meia também recordou um episódio que teria encerrado sua trajetória com a camisa da Seleção.
– Dei um soco no Carlos Nascimento (dirigente da Seleção da época) porque ele veio defender um radialista que veio gozar da minha cara. Eu disse para o Feola (Vicente Feola, técnico da Seleção): ‘Prefiro jogar no São Bento de Sorocaba do que jogar aqui’. E depois disso nunca mais fui convocado.
Outro nome histórico revelado pelo São Bento foi Marinho Peres. O zagueiro atuou pelo Azulão entre 1965 e 1966 antes de seguir carreira em clubes como Portuguesa e Santos.
Marinho integrou a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, sendo titular e capitão durante toda a campanha. Ao todo, participou dos sete jogos do Brasil na competição.
Em entrevista ao ge em 2017, o ex-defensor relembrou o desafio de suceder a geração campeã mundial de 1970.
– Era uma responsabilidade, porque fomos representar a Copa de 70, que foi o auge do futebol. Chegamos com isso porque tínhamos capacidade. Copa do Mundo são seis, sete jogos e se perder um não tem como recuperar. Não é obrigatório o melhor vencer. Nós enfrentamos um time que nunca tínhamos visto jogar, naquela época era difícil. A Holanda era bicampeã europeia e caímos em uma realidade taticamente. Eles sabiam marcar muito bem.
Marinho faleceu em 2023, aos 78 anos, deixando um legado importante no futebol brasileiro.
Companheiro de Marinho na defesa da Seleção, Luís Pereira também iniciou sua trajetória no São Bento. Conhecido como Chevrolet, o ex-zagueiro defendeu o clube em 64 partidas entre 1967 e 1968, retornando posteriormente em 1994.
Após se destacar pelo Palmeiras e pelo Atlético de Madrid, tornou-se um dos principais defensores do futebol brasileiro na década de 1970 e disputou a Copa do Mundo de 1974.
Luís participou de seis partidas no torneio e acabou desfalcando a Seleção na disputa do terceiro lugar após ser expulso no duelo contra a Holanda.
Para homenagear os três atletas, o Museu do Esporte Clube São Bento está promovendo a exposição temporária “O Azulão e a Amarelinha: O São Bento nas Copas do Mundo”.
A mostra permanece aberta ao público até o dia 18 de julho e destaca as trajetórias de Paraná, Marinho Peres e Luís Pereira com a camisa da Seleção Brasileira. Além da exposição, o museu lançou uma camiseta especial em homenagem ao trio, disponível para os torcedores do clube.




