Clube pretende negociar até três jogadores para aliviar o caixa, quitar pendências na Fifa e depois avaliar possíveis contratações
Foto: Rodrigo Coca / Agência CorinthiansO Corinthians definiu que, antes de avançar por reforços na atual janela de transferências, precisa movimentar o elenco no mercado. A diretoria alvinegra pretende negociar entre dois e três jogadores do grupo profissional para gerar receita, reduzir a pressão financeira e resolver pendências consideradas urgentes.
A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Meu Timão. Nos bastidores, o entendimento é de que o clube só terá condições de discutir novas contratações depois de regularizar compromissos financeiros que podem impactar diretamente o planejamento esportivo.
A principal pendência envolve a compra do volante José Martínez junto ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos. O atraso no pagamento resultou em um transfer ban aplicado pela Fifa, impedindo o Corinthians de registrar novos atletas.
Além do caso Martínez, o clube ainda lida com outras disputas internacionais. Uma delas envolve valores relacionados à contratação do volante Charles, junto ao Midtjylland, da Dinamarca. A outra diz respeito à renovação do empréstimo de Talles Magno, negociada com o New York City FC.
Caso esses débitos não sejam solucionados dentro dos prazos definidos, o Corinthians corre o risco de sofrer novas punições. Por isso, a diretoria trata as vendas como prioridade neste momento da temporada.
Entre os nomes que aparecem como possíveis negociáveis estão os meio-campistas André Luiz e Breno Bidon, além do atacante Yuri Alberto. Os três despertam interesse do mercado exterior e podem ajudar o clube a atingir a meta financeira prevista para 2026.
André Luiz chegou a ter uma negociação encaminhada com o Milan, da Itália, no início do ano. A proposta envolvia a venda de 70% dos direitos econômicos do jogador por 15 milhões de euros, além de bônus por metas, mas a transferência acabou não sendo concretizada.
Yuri Alberto também já foi alvo de investidas do futebol europeu. Em janeiro, o Fenerbahçe, da Turquia, apresentou uma oferta de 18 milhões de euros pelo atacante, mas o Corinthians recusou a proposta naquele momento.
A necessidade de vender atletas está ligada ao cenário financeiro do clube. Com uma dívida próxima de R$ 2,7 bilhões, o Corinthians colocou no orçamento de 2026 a previsão de arrecadar R$ 151 milhões com a venda de direitos econômicos de jogadores.
Enquanto tenta abrir espaço para novas movimentações, o clube também convive com atrasos internos. Nos últimos meses, houve pendências nos salários registrados em carteira do elenco profissional e nos direitos de imagem.
A situação financeira também atingiu o futebol feminino e as categorias de base. As Brabas tiveram atrasos no pagamento de direitos de imagem, além de valores pendentes de premiações. Na base, atletas que recebem ajuda de custo também enfrentaram atraso nos repasses em junho.
No Brasil, a janela de transferências será aberta entre 20 de julho e 11 de setembro. Antes disso, a CBF criou um período extraordinário entre 10 e 18 de julho, voltado apenas para negociações nacionais envolvendo jogadores que já atuam em competições no país.
Com o transfer ban ainda ativo e novas cobranças no horizonte, o Corinthians entra na janela pressionado a vender antes de comprar.