Memphis é mais um negócio barrado por Stabile no Corinthians; veja outros casos

Presidente decidiu não renovar com atacante holandês após meses de negociação e já havia vetado contratações de Alisson, Kayky e Rony, além da venda de André

Por: Jhonatan Moraes
2 horas atrás em 12 de agosto de 2026
Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

A não renovação do contrato com Memphis Depay é mais um caso de negociação conduzida pelo departamento de futebol do Corinthians e barrada pelo presidente Osmar Stabile.

Depois de meses de negociação, o dirigente decidiu não renovar o contrato do atacante holandês, que chegou ao Brasil há uma semana, passou por exames médicos e aguardou a solução dos últimos impasses jurídicos.

Quando já não havia mais empecilhos burocráticos, Stabile ficou três dias sem assinar o novo contrato antes de decidir que não daria aval à renovação. O presidente alegou “responsabilidade financeira” para justificar a decisão.

O mandatário também já havia vetado outros negócios encaminhados pelo departamento de futebol, como as contratações de Alisson, Kayky e Rony e a venda de André.

Embora o executivo Marcelo Paz tenha autonomia para conduzir as negociações, é o presidente corintiano quem dá a palavra final nos acordos. Aspectos financeiros são considerados, mas não são os únicos fatores. Pressões internas e repercussões entre torcedores também pesam nas decisões.

Alisson: negócio desfeito após jogador ir ao CT

No caso de Alisson, o meio-campista chegou a ir ao CT Joaquim Grava, na época em que Dorival Júnior ainda era o técnico do Corinthians. Estava tudo certo para que o jogador do São Paulo fosse emprestado ao Timão até o fim do ano, restando apenas o pagamento da transferência.

Stabile, porém, repensou o negócio e barrou a contratação.

Segundo dirigentes, o Corinthians até teria R$ 1 milhão para garantir o empréstimo, mas os demais termos do acordo pesaram negativamente. A diretoria financeira avaliou que não havia previsão orçamentária para concluir a negociação.

O imbróglio causou mal-estar e fez Marcelo Paz telefonar para Alisson para pedir desculpas pela reviravolta em nome do Corinthians.

Kayky: veto por atrito com o Bahia

No caso do atacante Kayky, Stabile desistiu do empréstimo, que era dado como certo, por entender que seria uma contradição fazer negócio com o Bahia enquanto o Corinthians acusa o clube nordestino de aliciamento a Kauê Furquim.

No ano passado, o Bahia pagou a multa rescisória do jovem, então destaque das categorias de base do Corinthians, e o retirou do Parque São Jorge por R$ 14 milhões.

Marcelo Paz conduziu as conversas com os representantes de Kayky e fechou o acordo, posteriormente desfeito pelo presidente.

André: venda ao Milan barrada após críticas de Dorival

Para vender André ao Milan, o Corinthians realizou reuniões, acertou valores, aceitou os termos e trocou e-mails e minutas de contrato. O acordo estava alinhado a ponto de o estafe do volante considerar a negociação como certa.

Faltava apenas a assinatura de Stabile, que vetou a transferência por não concordar com os 17 milhões de euros, cerca de R$ 103 milhões, oferecidos pelo Milan por 70% dos direitos econômicos do jogador de 19 anos pertencentes ao Corinthians.

O recuo do clube, por decisão de Stabile, ocorreu no dia seguinte à revelação da negociação e às duras declarações públicas de Dorival Júnior contra a venda.

A decisão também provocou forte repercussão entre os torcedores. Boa parte da torcida considerou os valores oferecidos pelo Milan muito baixos diante do potencial de André, uma das principais joias formadas nas categorias de base do clube.

Rony: alto valor e rejeição da torcida

A repercussão negativa e a questão financeira também fizeram o Corinthians não avançar na contratação do atacante Rony, hoje no Santos e, na época da negociação, jogador do Atlético-MG.

Quando a informação sobre a negociação veio a público, o Corinthians fez questão de esclarecer nos bastidores que o atacante era um nome monitorado, mas que isso não significava que a contratação estivesse necessariamente em estágio avançado.

Em entrevista ao jornalista Benjamin Back, Marcelo Paz admitiu que, além da questão financeira, a rejeição da torcida pesou para que o Corinthians não avançasse nas conversas.

O caso de Memphis, portanto, se soma a uma série de negociações nas quais o departamento de futebol avançou até etapas finais, mas acabou precisando recuar após uma decisão de Stabile. A situação reforça o peso da palavra final do presidente nas movimentações do clube.