Treinador contestou a expulsão de Carrillo, citou as condições do gramado em Erechim e pediu apoio da torcida para a decisão contra o Confiança
Foto: Reprodução/Ferroviária Rogério Corrêa não escondeu a insatisfação após a derrota da Ferroviária por 1 a 0 para o Ypiranga, neste domingo (23), no Colosso da Lagoa, pela 18ª rodada da Série C do Campeonato Brasileiro. Além de analisar a atuação da equipe, o treinador criticou a arbitragem, principalmente pela expulsão de Carrillo, e apontou as condições do gramado como um dos fatores que dificultaram o estilo de jogo afeano.
Na avaliação do técnico, a ausência de Albano teve algum peso na produção ofensiva, mas não foi a única razão para a pouca efetividade da equipe. Rogério considerou que a Ferroviária encontrou espaços e manteve o controle em parte do confronto, porém encontrou dificuldades para acelerar as jogadas.
– Eu creio que sim e não, né? Ter um peso do Albano ser um cara mais agressivo, obviamente. E hoje, nós não termos ele, pode ter sido alguma coisa. Porém, eu creio que os espaços nós conseguimos. Tínhamos espaço ali no meio-campo, na diagonal do campo. Porém, o campo também atrapalhou bastante. Grama muito alta, vinha batendo no tornozelo dos jogadores. Então, gerava uma dificuldade ali no controle da posse de bola.
O treinador voltou ao tema ao comparar o desempenho do Ypiranga dentro e fora de casa. Segundo ele, a grama alta e a presença de lama deixaram a partida mais lenta e prejudicaram uma Ferroviária que aposta tanto na troca de passes quanto na velocidade.
– Quando nós chegamos aqui, nós presenciamos o porquê dessa diferença de intensidade da equipe, num jogo aqui ser um jogo bem mais lento e um jogo fora eles serem muito mais intensos. Obviamente, a altura do gramado muito alto e embaixo muita lama. Então, prende muito o jogo. Nosso time, apesar de ser um time de toque de bola, é um time de muita velocidade também. Acabou sentindo um pouco mais essa situação.
Rogério, porém, reservou as críticas mais fortes para a arbitragem. O técnico considerou injusta a expulsão de Carrillo e afirmou que decisões dos árbitros vêm causando incômodo à Ferroviária ao longo da Série C.
– Sem desmerecer a vitória do Ypiranga, que veio aqui, buscou o seu jogo. É o desenho que eles buscam mesmo, de um jogo de muita força e de bola na área. Porém, a interferência da arbitragem está pesando muito todos os jogos nossos. Algo que vem gerando muito incômodo nosso.
Para o treinador, o segundo cartão recebido por Carrillo não deveria ter sido aplicado. A expulsão alterou o cenário de uma partida que, até aquele momento, ele considerava controlada pela equipe de Araraquara.
– A segunda falta do Carrillo, a expulsão do Carrillo, foi totalmente injusta. O Carrillo estava na bola, muito longe da cabeça do adversário. Foi uma simulação muito grotesca e o juiz caiu. Porém, sempre contra a gente. Então, está sendo um peso grande e nós precisamos também ter uma atenção especial a isso.
Além da inferioridade numérica, a Ferroviária terminou o confronto com Denílson lesionado e sem possibilidade de realizar nova substituição. O jogador permaneceu em campo, deixando a equipe, na prática, ainda mais fragilizada.
Apesar da derrota depois da goleada por 4 a 0 sobre o Paysandu, Rogério descartou preocupação com uma possível oscilação de desempenho.
– Zero. Não me preocupa porque nós viemos de jogos bons. E aqui, obviamente, é um cenário diferente, muito frio. O campo não é das melhores condições para um jogo correr. Então, obviamente, gera uma dificuldade para um time que é de posse de bola, que é de velocidade. Fica um jogo muito mais lento.
O treinador também reconheceu falha da Ferroviária no gol sofrido, marcado em uma jogada aérea, e afirmou que o problema será trabalhado antes da partida que decidirá a classificação.
– Infelizmente, acabamos tendo mais um jogador expulso de novo, ficando com um a menos. E sofrendo um gol de cabeceio ali onde a gente vacilou. Vamos buscar correção para a próxima partida.
A Ferroviária decidirá seu futuro na primeira fase diante do Confiança, já rebaixado, no próximo sábado, na Fonte Luminosa. Rogério rejeitou a ideia de que a situação do adversário torne a missão mais simples e pediu equilíbrio para jogadores e torcedores.
– Nós poderíamos estar enfrentando o primeiro colocado como o vigésimo colocado. Não mudaria nada. A pressão para que a gente ganhe para classificar vai existir, obviamente. Nós estamos jogando dentro de casa. Nós somos um time muito bom e acho que tem que classificar.
O comandante afeano também pediu paciência caso o gol não aconteça rapidamente e destacou que o apoio das arquibancadas será fundamental durante os 90 minutos.
– Temos que fazer um jogo muito consciente, com muito entendimento em buscar a vitória. E a torcida vai ser um fator importante para a gente também. Que nos apoie, que incentive esses nossos jogadores, porque eles vão buscar a vitória até o final. Nós temos que fazer um jogo consciente e com muita sabedoria.
Rogério ainda comentou sua própria expulsão depois de um episódio ocorrido próximo ao intervalo e voltou a questionar a atuação da equipe de arbitragem. Segundo o treinador, houve interferência indevida na tomada da decisão.
– A CBF tem que ter seus cuidados com seus profissionais também, porque é sempre todo mundo falando sobre treinador, sobre jogadores. Mas ninguém fala sobre a parte da arbitragem, que está pesando muito na Série C até agora, que não está tendo VAR.
Com a derrota em Erechim, a Ferroviária deixou a definição da classificação para a última rodada. Agora, a equipe terá a Fonte Luminosa como cenário da partida decisiva contra o Confiança e dependerá de uma resposta diante da torcida para avançar à próxima fase.
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