Técnico lamentou novo fracasso na Série C, apontou limitações ofensivas e financeiras e deixou futuro no clube em aberto para 2027
Foto: Reprodução/Ituano Mazola Júnior não escondeu a frustração após a eliminação do Ituano na Série C do Campeonato Brasileiro. A derrota por 1 a 0 para o Paysandu, no último sábado (22), no Novelli Júnior, acabou com as chances de classificação do Galo para a próxima fase da competição.
Em entrevista coletiva, o treinador fez um forte desabafo sobre as dificuldades enfrentadas nas duas últimas temporadas. Apesar de o Ituano não correr mais risco de rebaixamento, Mazola afirmou que a sequência de resultados negativos teve um peso pessoal muito grande.
“É muito frustrante estarmos aliviados porque só caem dois esse ano e o Ituano não cai mais. Mas, ao mesmo tempo, para mim, isso é muito difícil de ser gerido. São dois anos amargando derrotas, noites e noites sem dormir, estudando de manhã, tarde e noite, correndo atrás de possibilidades de contratações, treinos, mudanças de sistema. Eu garanto que, nesses dois anos, eu perdi quatro anos da minha vida em questão de saúde, porque eu não me dou bem com derrota. E eu não tenho mais idade para continuar nesse círculo sem vitória.”
Mazola também comparou o momento atual com as dificuldades vividas na temporada passada. Para o comandante, um dos principais problemas esteve na formação do elenco e, especialmente, no rendimento ofensivo abaixo do esperado.
“Ano passado, em 10 jogos vencemos um. E agora foram nove jogos com uma vitória. Isso não existe. Isso tem muito a ver com plantel substituições e várias situações que nos fizeram fazer um campeonato muito abaixo, principalmente na parte ofensiva. Muito abaixo de todas as expectativas que foram criadas aqui neste ano.”
Na avaliação do treinador, o Ituano conseguiu competir em condições semelhantes à maioria dos adversários ao longo da Série C, mas desperdiçou oportunidades importantes em momentos decisivos. O cenário voltou a se repetir contra o Paysandu.
“O sentimento é de frustração muito grande, principalmente pelo trabalho da comissão técnica, processos e estrutura de trabalho que criamos. É uma sensação de que escapou da nossa mão porque não foi o jogo jogado que nos fez não classificar. Na maioria dos jogos, o Ituano não foi inferior a nenhum adversário, com exceção de Ferroviária e Guarani.”
“Contra o Paysandu, mais uma vez o filme se repetiu. Tivemos duas chances imperdíveis de sair na frente, acabamos não fazendo, fomos incompetentes mais uma vez e, no final do jogo, arriscando tudo, no contra-ataque eles fizeram o gol e ganharam o jogo.”
A eliminação também colocou em dúvida a continuidade de Mazola no comando da equipe em 2027. O técnico afirmou que duas temporadas são suficientes para uma avaliação mais profunda do trabalho e que qualquer decisão dependerá também dos planos da diretoria para o próximo ano.
“Acho que duas temporadas são suficientes no trabalho de um treinador. Sempre tive isso na minha carreira. Agora, precisamos respeitar a vontade e os planos da diretoria em relação ao ano que vem. E nem só em relação ao treinador, mas outras situações também.”
O aspecto financeiro foi outro ponto abordado por Mazola. O treinador destacou as limitações orçamentárias do clube e admitiu que sua própria permanência precisa ser analisada dentro da realidade do Ituano.
“O Ituano é um clube extremamente deficitário. Paga R$ 50 mil para mandar um jogo em casa, porque o torcedor não vem. Para o clube em uma situação dessas, eu sou um treinador muito caro, principalmente por não conquistar os objetivos, independentemente de o trabalho ser bom ou não. Teremos de fazer uma análise se é viável a continuidade de um treinador do nível que o Ituano tem hoje. E qual é a prospecção da diretoria em relação ao ano que vem.”
Apesar da campanha abaixo do esperado, Mazola apontou a utilização de jogadores das categorias de base como um dos pontos positivos do trabalho. Por outro lado, voltou a citar a falta de recursos para reforçar o elenco como um dos fatores que limitaram o Ituano na disputa por uma vaga na próxima fase.
“Nós não temos margem orçamentária para contratações de peso quando abre a janela. No Paysandu chegaram mais três jogadores nessa semana. Nós padecemos pelo segundo ano consecutivo, na minha opinião, por não ter um grupo homogêneo. Essa é uma das pautas que vamos sentar e conversar com a direção para ver o que podemos fazer diferente no ano que vem. Inclusive, se não é uma boa uma comissão técnica diferente. Que tenha o poder de se adaptar melhor do que nós à realidade atual do clube.”
Sem chances de classificação e também livre do rebaixamento, o Ituano apenas cumpre tabela na última rodada da Série C. O Galo visita o Floresta no próximo sábado (29), às 17h, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza.
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