Diretor jurídico da Ponte Preta pede compreensão ao elenco

Com o adiamento da Assembleia, a tendência é de debandada geral

Por: Murilo Godoy
48 minutos atrás em 25 de agosto de 2026
José Henrique Specie, diretor jurídico da Ponte Preta - Foto: Marcos Ribolli

Nesta segunda-feira (24), a Assembleia Geral Extraordinária para a Constituição da SAF da Ponte Preta foi cancelada. Em meio um clima tenso, marcado por tumultos dentro e fora do Estádio Moisés Lucarelli, o presidente do Conselho Deliberativo da Ponte, José Armando Abdalla Júnior, decidiu encerrar a reunião e adiar a votação após o recebimento de duas decisões liminares da Justiça.

As polícias Militar e Civil estavam presentes no local. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram discussões no Salão Nobre entre integrantes da diretoria executiva, como o vice-presidente Marco Antonio Eberlin, e membros da oposição, e também os gritos de “renúncia” para a atual cúpula. A decisão foi gerada por uma liminar judicial imposta pela oposição.

Porém, de acordo com o diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, a decisão judicial não determinava a suspensão da assembleia. O adiamento ocorreu porque a liminar estabeleceu uma série de obrigações operacionais e logísticas que o clube não estava preparado para cumprir naquele momento.

“Na verdade, a decisão é do presidente do Conselho Deliberativo, o doutor Armando Abdala. Ele solicitou que a gente fizesse uma análise das determinações havidas nessa liminar, que chegou durante o início da assembleia”, explicou Specie.

Segundo o diretor jurídico, o pedido de suspensão da Assembleia Geral chegou a ser feito pelos autores da ação, mas não foi acolhido pela Justiça.

“Um dos pedidos era, inclusive, para suspender a Assembleia Geral. Essa orientação, esse pedido não foi acolhido, mas a juíza concedeu, a pedido desses autores, algumas obrigações de caráter operacional, logístico”, afirmou.

Entre as determinações estava a presença de um tabelião para acompanhar os trabalhos e registrar os acontecimentos por meio de uma ata notarial. O documento possui fé pública e poderia registrar detalhes relacionados à participação dos associados na reunião.

“Por exemplo, que um tabelião acompanhasse todos os trabalhos e registrasse uma ata notarial com vários detalhes individuais de cada associado que estaria votando e outras obrigações”, disse Specie.

O problema, segundo o diretor jurídico, foi que a Ponte Preta não havia se preparado previamente para cumprir as determinações naquele formato. O clube esperava realizar a assembleia dentro da estrutura já planejada para a reunião.

“Nós não estávamos aguardando uma decisão dessa natureza. O clube não se preparou do ponto de vista logístico, operacional. São muitos associados, o salão comporta todo mundo, mas em condições para dar mais fluidez a uma assembleia dessa natureza. Não para se cumprir esses detalhes operacionais e logísticos”, explicou.

Diante disso, Specie relatou que houve uma conversa entre representantes da Ponte Preta, o presidente do Conselho Deliberativo e o advogado dos associados responsáveis pela ação.

“Foi, basicamente, um encaminhamento, quase que um consenso, de que, por prudência e até para atender efetivamente às obrigações que a liminar determinou, o presidente do Conselho, o doutor Abdala, entendeu por bem postergar a data da assembleia”, afirmou.

A intenção agora é adequar a estrutura da Ponte Preta às determinações judiciais antes de remarcar a votação. Ainda não existe uma nova data definida, mas o prazo é de 15 dias.

“O presidente do Conselho Deliberativo vai proceder a essa análise, juntamente com o pessoal operacional da parte administrativa do clube, para verificar uma melhor data para que essa assembleia venha a ocorrer”, explicou Specie.

O diretor jurídico disse esperar que a nova reunião aconteça o mais rápido possível, principalmente pela importância da decisão para o futuro da Ponte Preta.

“Eu espero, de fato, que isso seja o mais rápido possível, cumprindo rigorosamente o estatuto, mas que seja breve, até por conta dessa decisão que deve ser tomada, já estava esperando que fosse tomada hoje, para o bem do clube, para o bem da Ponte Preta”, declarou.

Questionado novamente sobre a natureza da decisão judicial, Specie reforçou que a liminar permitia a realização da assembleia, desde que as determinações fossem cumpridas.

“A decisão permite realizar a assembleia desde que cumpridas essas obrigações. Como o clube não teria condição, na data de hoje, por essas questões operacionais e logísticas, de cumprir essa decisão, então o clube vai tomar as providências que são necessárias para cumprir a decisão e realizar, obviamente, a assembleia dentro dessas obrigações”, afirmou.

O diretor também explicou que não tinha de memória todas as determinações previstas na liminar, já que o documento possui diversas páginas e chegou quando a reunião estava começando.

“Realmente, de cabeça não tenho, porque é uma decisão que tem inúmeras páginas, não é apenas uma obrigação que foi determinada nessa decisão”, disse.

Specie acrescentou que o clube pretende disponibilizar a íntegra da decisão para consulta. A presença do tabelião foi novamente explicada pelo diretor jurídico. Segundo ele, a medida serviria para registrar formalmente os acontecimentos da assembleia.

“Os autores buscaram que os trabalhos da assembleia fossem registrados para fins de algum registro, consignar que futuramente viessem a buscar algum tipo de medida em relação a isso. E isso é feito via um tabelião de notas, que lavra um documento chamado ata notarial, que tem fé pública”, explicou.

A Ponte Preta, portanto, terá de reorganizar a estrutura da reunião antes de realizar novamente a votação sobre a SAF. Enquanto isso, a decisão também ocorre em meio à crise financeira e esportiva enfrentada pelo clube.

A suspensão da AGE frustrou os planos da diretoria. Com um SIM para a SAF, logo após o fim da Assembleia, um documento seria enviado aos investidores autorizando um aporte inicial. O valor seria o suficiente para pagar os débitos com elenco e staff, e quitar os três transfer bans vigentes.

Com o adiamento da Assembleia, a tendência é de debandada geral no elenco. Sem perspectiva para o pagamento de nenhum mês dos atrasados, existe a possibilidade de paralisação das atividades, e até W.O. contra o América-MG.

Questionado sobre a reação dos jogadores, que haviam publicado nas redes sociais que poderiam interromper as atividades caso não houvesse uma definição sobre a SAF, Specie afirmou que tomou conhecimento da manifestação e espera compreensão dos atletas diante do adiamento.

“Acredito que eles, dentro dessa situação que foi aleatória para o clube, vão ter que observar essa decisão e tomar as providências que eles entenderem mais pertinentes”, afirmou.

“Eu acredito, dentro de uma razoabilidade, que eles devam compreender a situação toda, que é pelo bem da Ponte Preta”, completou.

Devido ao grande desgaste físico dos atletas, a reapresentação do elenco da Ponte Preta no CT do Jardim Eulina foi adiada para quarta-feira (26). Os jogadores estão exaustos. A Ponte volta a campo no domingo (30), às 16h, quando visita o Coelho, na Arena Independência.