Recém-contratados deixam a Ponte Preta sem jogar

Todos os oito reforços não registrados pegaram as suas chuteiras e tênis no CT

Por: Murilo Godoy
1 hora atrás em 26 de agosto de 2026
Estádio Moisés Lucarelli - Foto: Divulgação/Ponte Preta

Na manhã desta quarta-feira (26), no CT do Jardim Eulina, os jogadores da Ponte Preta decidiram não treinar. Os atletas nem trocaram de roupa.

A greve ocorre em meio a meses de salários atrasados. Uma notificação foi entregue ao executivo João Brigatti pelos atletas e também enviada por e mail para a presidência e para o departamento jurídico do clube.

Todos os oito reforços não registrados por causa do transfer ban, pegaram as suas chuteiras e tênis no CT, e deixaram o clube. O vice-presidente Marco Antônio Eberlin afirmou que não quitará a punição.

São eles: O goleiro Douglas Marques; os zagueiros Hiago Ribeiro e Diogo Silva; o lateral-direito Williams Bahia; o lateral-esquerdo Jota; o volante Otávio; e os meias Cesinha e David Braw.

Todos eles chegaram na Ponte Preta nesta janela de transferências, e deixarm clube sem estrear. Anteriormente, o zagueiro Alex Nascimento, o meia Enzo Boer (os dois emprestados pelo Santos) e o atacante João Neto já tinham deixado a Ponte.

Ao todo, a diretoria acertou com 11 jogadores durante a janela, mas não conseguiu inscrever nenhum deles. Quando anunciou os primeiros reforços, em 7 de julho, o presidente Luiz Torrano garantiu que a Ponte Preta regularizaria a documentação a partir da abertura da segunda janela, em 20 de julho, porém, não cumpriu a promessa.

A Macaca visita o América-MG no domingo (30), às 16h, correndo o risco de W.O. Porém, existe a possibilidade de utilização do sub-20 do clube. Com diversas saídas também na base, a Ponte pode ser rebaixada no Paulistão da categoria.

O sub-20 da Ponte Preta só volta a atuar no dia 4 de setembro, contra o Mirassol. A Macaca terá a semana livre, e deve contar com cerca de oito retornos, antes entregues ao Departamento Médico.

O ultimato para o pagamento dos salários atrasados foi encerrado na última terça-feira (25), em nota oficial publicada pelos jogadores, alegando cerca de seis meses sem receber.

Sem o pagamento realizado dentro do prazo estipulado, os atletas buscaram respaldo jurídico com os advogados Filipe e Thiago Rino para tomar a decisão.

Eles se reapresentaram no CT do Jardim Eulina, mas deixaram o local sem treinar por volta das 8h50. Quando o vice-presidente Marco Antonio Eberlin chegou, muitos já tinham ido embora. O dirigente determinou que os demais entrassem para uma conversa. Na sequência, o portão foi fechado.

Atualmente, a Ponte Preta tem duas punições de transfer ban na Fifa. A primeira está relacionada ao mecanismo de solidariedade envolvendo o Iguazú Nippon, do Paraguai. A segunda é mais recente e envolve uma dívida com o zagueiro Luis Haquin.

Neste último caso, o clube não conseguiu cumprir a segunda parcela de um acordo no valor de R$ 227.777,75. O novo inadimplemento manteve a punição ativa e impediu a regularização de jogadores contratados pela diretoria.

Além das pendências na Fifa, a Ponte também enfrenta uma punição na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O clube tem parcelas atrasadas no Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT) junto à Justiça do Trabalho e corre o risco de perder o parcelamento mensal com os credores em caso de sucessivos inadimplementos.