Presidente afirma que restrição contratual vale desde o início de sua gestão e foi criada após período de forte interferência política no dia a dia do elenco
O presidente Osmar Stabile confirmou que, desde o início de sua gestão no Corinthians, os contratos dos jogadores passaram a incluir uma cláusula que proíbe o envolvimento deles na política do clube.
Stabile assumiu a presidência interinamente em maio de 2025 e depois definitivamente em agosto, em razão do impeachment do ex-presidente Augusto Melo, que havia recebido apoio de jogadores do elenco em nota pública divulgada no fim de 2024.
O tema voltou à tona após o atacante Memphis Depay divulgar, recentemente, um vídeo de música que mostra o Parque São Jorge em chamas, o que motivou multa aplicada pela diretoria. No ano passado, já sob o comando de Stabile, o holandês também havia se manifestado politicamente após o título da Copa do Brasil, dizendo que dirigentes que prejudicam o Corinthians deveriam deixar o clube.
“Existe essa cláusula. Está bem claro no contrato dele (Memphis) e dos demais jogadores. A partir do momento que nós entramos, existia envolvimento muito grande na parte política. Isso atrapalha. O futebol é muito sensível, não dá para envolver a parte política. Tenho procurado manter jogadores à distância”, disse o presidente em entrevista à ESPN.
“Todo atleta é contratado para jogar futebol. O coração do Corinthians é o futebol profissional, tanto masculino ou feminino. A gente colocou isso em cláusula em virtude do momento que o Corinthians estava passando”, completou.
Stabile fez questão de esclarecer que a proibição contratual é restrita a manifestações sobre a política interna do clube, e não sobre política nacional.
“Eu estava no Corinthians quando se começou a questão da participação dos jogadores na saída do regime. Quando envolve questão do país, vale a pena. O problema todo é envolvimento no dia a dia, em que, por exemplo, jogador chutava a bola na trave e, no dia seguinte, falava ‘a política do clube atrapalha’. Foi isso que a gente tentou colocar, porque o jogador tem que jogar futebol, porque futebol é muito sensível, não dá para se envolver em outras questões.”