Executivo assume responsabilidade pela campanha e afirma que 70% do elenco não deve permanecer
Foto: Reprodução O Guarani está eliminado da Série C do Campeonato Brasileiro. O empate por 2 a 2 com o Brusque, neste sábado, no Brinco de Ouro, confirmou a queda do Bugre antes da segunda fase da competição. Após a partida, o executivo de futebol Carlos Frontini fez uma forte autocrítica sobre a campanha e assumiu responsabilidade pelos erros cometidos pelo clube ao longo da temporada.
Questionado sobre os salários atrasados e o possível impacto da situação financeira no desempenho da equipe, Frontini afirmou que não considera os problemas financeiros como a principal justificativa para a eliminação. Segundo ele, a diretoria realizou diversas reuniões sobre o tema desde sua chegada ao clube, em março. “Acredito que foi incompetência nossa, e eu incluo também, e a gente tem que assumir.”
O executivo também pediu desculpas ao torcedor bugrino, que, segundo ele, apoiou o time durante praticamente toda a competição. Para Frontini, o clube acabou sendo o principal prejudicado pelos problemas internos e pela falta de resultados. “Se tem alguém aqui que saiu prejudicado, foi o clube. […] Então, nesse momento aqui, foi uma incompetência nossa.”
Frontini reconheceu que a questão financeira esteve presente no ambiente do clube, mas negou que ela tenha sido determinante para a falta de dedicação dos jogadores. Na avaliação do executivo, o problema principal esteve na incapacidade do time de transformar vantagens construídas durante as partidas em vitórias.
O dirigente lembrou que o Guarani sofreu diversas viradas e perdeu pontos mesmo tendo saído na frente. Para ele, a eliminação não foi definida apenas no empate contra o Brusque. “Nós não perdemos classificação hoje aqui. Quem falar que nós perdemos classificação aqui não está ciente do que vem acontecendo nos últimos oito, nove jogos.”
Com o Guarani permanecendo na Série C pelo terceiro ano consecutivo, Frontini indicou que uma reformulação significativa deverá acontecer no elenco. O dirigente afirmou que o clube precisa mudar o perfil dos atletas e dar mais espaço para jogadores jovens e da base.
A avaliação inicial é de que grande parte do atual grupo não deveria permanecer para a próxima temporada. “70% desse grupo não tem condição de ficar. Essa que é a verdade.”
Apesar das críticas ao trabalho realizado, Frontini afirmou que gostaria de permanecer no Guarani. O dirigente tem contrato até o fim do Campeonato Paulista de 2027, mas reconheceu que sua continuidade depende de uma avaliação do clube e do processo de mudança pelo qual a instituição passa.
“Se você perguntar para mim se eu quero ficar, eu quero ficar. Eu gosto do clube, eu gosto das pessoas, eu me sinto bem na cidade.”
Ao mesmo tempo, Frontini afirmou que não pretende ser um obstáculo para o Guarani e reconheceu sua responsabilidade pela campanha. “Eu também tenho que entender que a gente não conseguiu uma classificação. […] Eu também tenho que entender isso daí e faço parte desse processo.”
Para o dirigente, o Guarani precisa controlar melhor os gastos e construir um projeto sustentável para tentar voltar à Série B. Frontini afirmou que o clube não pode assumir compromissos financeiros que não consiga cumprir. “Você não pode gastar o que você não tem. Essa é a verdade.”
Com a eliminação na primeira fase, o Guarani terá novamente a Série C como principal competição nacional em 2027. Para Frontini, o momento agora é de reconhecer os erros, promover mudanças e buscar um novo caminho para o clube.