Presidente do Estudiantes, ex-jogador comandou reconstrução do estádio e conquistou cinco títulos com o grupo político
Foto: Divulgação/Estudiantes Presidente do Estudiantes, Juan Sebastián Verón é uma das principais figuras do futebol argentino quando o assunto é investimento privado nos clubes. Ídolo e ex-jogador da equipe, ele comandou mudanças estruturais no clube de La Plata e passou a defender a possibilidade de investimentos empresariais no futebol do país.
Estudiantes e Corinthians se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, pelo jogo de ida das quartas de final da Conmebol Libertadores.
Campeão da Libertadores pelo Estudiantes em 2009, Verón assumiu a presidência do clube pela primeira vez em 2014, poucos meses após encerrar a carreira como jogador. Revelado pelo próprio time, o ex-meia também teve passagens de destaque pelo futebol europeu.


Na época, o clube atravessava dificuldades financeiras e ainda precisava concluir a reconstrução do estádio Jorge Luis Hirschi, iniciada em 2005 após a demolição da antiga estrutura.
Durante sua gestão, o Estudiantes conseguiu registrar sucessivos superávits e concluiu a modernização do estádio em novembro de 2019, após anos utilizando principalmente o estádio Único de La Plata.
Retorno
Reeleito em 2017, Verón deixou a presidência em 2021 e passou a ocupar o cargo de vice-presidente de Martín Gorostegui, integrante do mesmo grupo político.
Ele retornou ao comando do clube em 2024, em um cenário diferente do primeiro mandato. O estádio estava concluído, as contas haviam sido reorganizadas e o Estudiantes vinha de um título nacional.
Foi a partir desse momento que Verón passou a defender publicamente a entrada de investimentos privados no futebol argentino e a possibilidade de transformação dos clubes em Sociedades Anónimas Desportivas (SADs), modelo semelhante às SAFs adotadas no Brasil.
A proposta enfrenta resistência da Associação do Futebol Argentino (AFA) e dos principais clubes do país, que defendem o modelo associativo. O presidente Javier Milei, por outro lado, editou um decreto que abriu caminho para a transformação dos clubes em SADs.
Verón afirma que o Estudiantes continuaria como uma associação civil, mas que o futebol poderia ser administrado por uma nova sociedade comercial.
“Queremos crescer, e o sistema do futebol argentino está esgotado”, declarou o presidente em entrevista ao La Nación.
Investimento
Nesse contexto, o empresário norte-americano Foster Gillett apareceu como possível investidor do Estudiantes. A previsão inicial era de um aporte de US$ 150 milhões, valor que poderia aumentar o poder de investimento do clube para competir com gigantes como Boca Juniors e River Plate.
Gillett chegou a desembolsar US$ 15 milhões para pagar a multa rescisória do meia Cristian Medina, que deixou o Boca Juniors e atualmente defende o Botafogo.
O empresário também concedeu um empréstimo de US$ 9,7 milhões ao clube. O investimento de US$ 150 milhões, porém, não foi concretizado como inicialmente previsto.
Apesar do fracasso da negociação, Verón manteve a defesa da participação privada no futebol argentino.
“O investimento privado não mata a paixão. O equilíbrio é fundamental”, afirmou em entrevista ao La Nación.
Títulos
Dentro de campo, a terceira passagem de Verón pela presidência também foi marcada por conquistas.
Em 2024, o Estudiantes conquistou a Copa da Liga e o Trofeo de Campeones. No ano seguinte, venceu o Torneo Clausura e novamente o Trofeo de Campeones.
Somando a Copa Argentina de 2023, conquistada quando Verón ainda era vice-presidente, o grupo político que comanda o clube acumula cinco títulos.