Presidente do Conselho Deliberativo admite que clube pode precisar buscar recursos próprios enquanto constituição e venda da SAF não são concluídas
Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC O Guarani pode precisar “caminhar com as próprias pernas” para montar o elenco que disputará o Campeonato Paulista de 2027 enquanto o processo de constituição e venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) não for concluído. A avaliação é do presidente do Conselho Deliberativo, André Torquato, em entrevista ao programa Esporte em Debate, da Rádio Bandeirantes Campinas.
A votação prevista para esta sexta-feira trata da constituição da SAF. Já a venda de 90% das ações para o grupo de Roberto Graziano ficará para uma etapa posterior, após as mudanças solicitadas no contrato. “Existe um grande risco do Guarani ter que caminhar com as próprias pernas pra gente formar o time no Paulista. A gente não quer isso”, afirmou Torquato.
Caso os sócios aprovem a transformação do clube em SAF, ainda será necessário registrar os documentos em cartório e cumprir os procedimentos necessários para efetivar a constituição da sociedade. Somente depois dessa etapa o Guarani poderá avançar para a venda dos 90% das ações ao grupo de Graziano.


Segundo Torquato, existe a possibilidade de antecipar parte do processo burocrático. Nesse cenário, a associação inicialmente ficaria com 100% das ações da SAF e, posteriormente, poderia vender 90% ao grupo de Graziano, caso o contrato seja aprovado. “Não é um procedimento que é barato”, explicou o dirigente.
A situação preocupa também por causa do momento financeiro do clube. Torquato afirmou que o Guarani “não tem mais dinheiro” e citou a antecipação de receitas e os atrasos relacionados à Recuperação Judicial como fatores que aumentam a pressão sobre o caixa.
O cenário é agravado pela posição de Roberto Graziano sobre eventuais aportes antes da conclusão da operação. De acordo com Torquato, o empresário não pretende antecipar recursos enquanto a SAF não estiver constituída e ele não for oficialmente o proprietário.
“Não há como ele aportar, antecipar recurso financeiro sem ele ter a SAF constituída e ele ser dono. Ele fala que é uma situação muito delicada. Esse é o posicionamento dele”, relatou.
Apesar disso, Torquato afirmou acreditar que Graziano possa ajudar financeiramente caso o processo avance e o clube enfrente uma situação emergencial. O dirigente, porém, ressaltou que não existe qualquer compromisso firmado pelo empresário.
“Não há nenhum compromisso assumido pelo senhor Roberto Graziano. Mas eu acredito eu que, pela lógica, é que, tendo aprovada a SAF, se houver uma emergência, até para concretização e continuação do negócio, é que ele venha ajudar o Guarani”, disse.
O planejamento para o Paulista aumenta a pressão sobre o clube. Mesmo com uma eventual aprovação da SAF, a constituição da sociedade e a posterior venda das ações ainda dependerão de etapas burocráticas. Torquato acredita que, caso a SAF seja aprovada em outubro, Graziano possa ajudar em novembro e dezembro, inclusive na montagem do elenco, mas reforçou que isso depende da evolução do negócio.
“A gente acredita que, havendo uma finalização, eu acredito que ainda pra outubro de aprovação da SAF, o Roberto Graziano possa, em novembro e dezembro, mesmo, como você sabiamente falou, que o processo demore bastante pra que realmente ocorra a Constituição da SAF, que com todas as garantias e contratuais o Sr. Roberto Graziano possa nos ajudar já, tanto financeiramente como na contratação de profissionais pra montar o time no Campeonato Paulista”, afirmou.