Eleição no Corinthians: Osmar Stabile desiste de candidatura à presidência

Presidente afirma que priorizará a reorganização financeira do clube; disputa de 28 de novembro terá cinco candidatos

Por: Jhonatan Moraes
2 horas atrás em 15 de outubro de 2026
Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, anunciou nesta quinta-feira (15) que não será candidato à reeleição no pleito marcado para 28 de novembro. Em carta aberta, o dirigente afirmou que uma candidatura poderia interferir na estabilidade política do clube e justificou a decisão pela necessidade de concentrar esforços na reorganização financeira e administrativa do Timão.



Stabile está no comando do Corinthians desde maio de 2025, quando assumiu a presidência após o impeachment de Augusto Melo, de quem era vice-presidente. Segundo o dirigente, a prioridade até o fim do mandato será avançar em questões financeiras estratégicas, especialmente na negociação em andamento com a Caixa Econômica Federal.

“O clube precisa estar acima de qualquer projeto pessoal, e acredito que misturar a condução administrativa deste período com uma disputa eleitoral não seria saudável para a instituição”, escreveu.

Corinthians - Motorola G06Corinthians - Motorola G06

O presidente também afirmou que permanecerá no cargo até o encerramento do mandato, com o compromisso de recuperar a credibilidade do Corinthians, organizar as contas e fortalecer os processos administrativos.

Com a desistência, a eleição alvinegra terá cinco candidatos à presidência: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Mendes, Rozallah Santoro e Sergio Janikian. A votação será realizada em 28 de novembro, no Parque São Jorge.

Regra estatutária influenciou decisão de Stabile

A decisão representa uma mudança de posição de Stabile, que vinha considerando disputar um novo mandato de três anos. A possibilidade, porém, envolvia um impasse relacionado ao estatuto do Corinthians.

A regra prevê restrições à candidatura de dirigentes que assumem a presidência em caso de vacância e permanecem no cargo por 18 meses ou mais. Como Stabile assumiu em 26 de maio de 2025, completaria esse período em 26 de novembro de 2026, apenas dois dias antes da eleição.

O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a recomendar que Stabile renunciasse ao cargo antes de completar os 18 meses para evitar o impedimento. Segundo o material divulgado, o presidente chegou a considerar essa possibilidade, mas acabou anunciando a desistência da candidatura.

Presidente é alvo de investigações

A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre a gestão de Stabile. O Ministério Público denunciou o dirigente à Justiça por apropriação indébita em um caso envolvendo a contratação, com recursos do Corinthians, de uma empresa de segurança que não estaria regularizada na Polícia Federal. Stabile argumenta que a contratação ocorreu em razão do cargo que ocupa.

O Ministério Público também investiga a contratação de uma empresa de segurança irregular, aberta em nome de um funcionário do clube, em um caso que envolve R$ 676,6 mil. Outra apuração trata da relação comercial entre o Corinthians e a empresa responsável pelo programa Fiel da Sorte, após pagamentos de R$ 6,9 milhões por serviços que, segundo a investigação, não teriam sido integralmente prestados.

Além disso, o clube é alvo de um inquérito na esfera cível que pode resultar em um pedido de intervenção judicial. As investigações e denúncias citadas não equivalem, por si só, a uma condenação definitiva.

Crise dentro e fora de campo

A saída de Stabile da disputa eleitoral ocorre em um momento de turbulência política e esportiva no Corinthians. Dentro de campo, o clube enfrenta resultados negativos, com eliminações na Conmebol Libertadores e na Copa do Brasil, além de uma sequência de oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, conforme o cenário descrito no material de origem.

O ambiente também foi marcado por críticas de jogadores à condução do presidente. O zagueiro Gabriel Paulista expôs recentemente a insatisfação do elenco, que questiona a falta de diálogo sobre atrasos nos pagamentos e o cumprimento dos prazos acordados.

Mesmo fora da disputa pela presidência, Stabile afirmou que pretende concluir o mandato concentrado na reorganização do clube e defendeu que a próxima gestão dê continuidade ao trabalho administrativo e financeiro.