Caso Nike: MP pede prisão preventiva do vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça

Promotoria aponta possível interferência na investigação após demissão de testemunha em processo sobre materiais esportivos da Nike

Por: Jhonatan Moraes
56 minutos atrás em 16 de outubro de 2026
Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, no processo que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike. O pedido foi apresentado nesta sexta-feira (16), após a demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do clube e testemunha considerada importante para a acusação.



Em manifestação encaminhada à 25ª Vara Criminal, o promotor Cássio Conserino argumentou que o desligamento de Munhoes, às vésperas da audiência de instrução marcada para 10 de novembro, pode representar uma tentativa de intimidar testemunhas e interferir na produção de provas.

Segundo o promotor, o ex-diretor de TI apresentou elementos técnicos que contribuíram para a identificação de indícios de apropriação indevida de materiais esportivos. Para o Ministério Público, a demissão pode comprometer não apenas o depoimento de Munhoes, mas também o de outros funcionários do Corinthians que deverão ser ouvidos no processo.

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Conserino também destacou que o desligamento ocorreu em um contexto de apoio público do presidente corintiano, Osmar Stábile, a Armando Mendonça. Na avaliação do promotor, a combinação dos episódios indica uma possível interferência na instrução criminal.

Além do pedido de prisão preventiva, o Ministério Público abriu um novo procedimento investigatório para apurar as circunstâncias da demissão e uma eventual participação de Armando Mendonça ou de terceiros em atos destinados a interferir no andamento do processo.

Entenda o caso dos materiais esportivos da Nike

Armando Mendonça se tornou réu em junho de 2026. O vice-presidente do Corinthians responde a acusações de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo.

O caso ganhou força após uma auditoria interna conduzida pelo então diretor de Tecnologia da Informação, a pedido do presidente Osmar Stábile. O relatório apontou possíveis irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike e colocou Mendonça no centro de parte das ocorrências identificadas.

Segundo o Ministério Público, o dirigente teria se apropriado de 131 itens de material esportivo, tentado obter 19 camisas especiais com patch da NFL e subtraído oito unidades de uma edição comemorativa. A acusação também sustenta que duas testemunhas foram ameaçadas durante a investigação.

Armando Mendonça nega as irregularidades. O dirigente afirmou que o descontrole na retirada dos materiais ocorreu durante a gestão de Augusto Melo e que a administração seguinte implementou correções. Ele também contestou o relatório da auditoria, alegando que o documento apresenta falhas.

O pedido de prisão preventiva será analisado pela Justiça. A solicitação do Ministério Público não representa, por si só, uma decisão judicial sobre a prisão do dirigente.