Canal do TSP no TelegramCanal do TSP no Telegram

Processo de Elvis expõe colapso financeiro da Ponte Preta

Meia cobra R$ 8 milhões na Justiça e simboliza a debandada causada pela crise no Majestoso

Por: Neila Gonçalves
1 dia atrás em 24 de janeiro de 2026
Foto: Reinaldo Campos/AGIF

A ação judicial movida por Elvis, na qual cobra cerca de R$ 8 milhões da Ponte Preta e solicita a rescisão contratual por falta de pagamento, tornou-se o retrato mais contundente da crise que se aprofundou no clube no início de 2026. O caso evidencia um cenário de instabilidade financeira, institucional e esportiva vivido pela Macaca.

Desde o começo da pré-temporada, ainda em dezembro, a Ponte já contabiliza a saída de 12 jogadores — número suficiente para formar mais de um time completo. A debandada é consequência direta dos atrasos salariais, da punição por transfer ban e das dificuldades administrativas enfrentadas no Moisés Lucarelli.

A saída mais recente foi a do atacante Bruno Lopes, que aceitou proposta do North e reencontrará Serginho, outro remanescente do elenco campeão da Série C de 2025 que deixou Campinas. Além deles e de Elvis, nomes importantes daquele título também se despediram durante a preparação ou já com o Paulistão em andamento, como os volantes Luiz Felipe, hoje no Náutico, e Léo Oliveira, no Juventude, além do atacante Jeh, que negocia com o Göztepe, da Turquia.

O esvaziamento do elenco não se restringiu aos atletas remanescentes. A Ponte também perdeu seis reforços contratados para 2026 que sequer chegaram a estrear: os zagueiros Wallace e Walisson Maia, os laterais Gabriel Inocêncio e Bryan Borges, o volante Pedro Martins e o atacante Hebert. Todos foram desligados em meio à espera pela liberação de registros e ao desgaste causado pela indefinição jurídica.

Mesmo diante do cenário adverso, sete jogadores optaram por permanecer no clube: o goleiro Thiago Coelho; os zagueiros David Braz e Lucas Cunha; o lateral-direito Lucas Justen; o volante Tárik; o meia Cristiano; e o atacante Vitor Pernambucano.

A regularização dos reforços só foi possível na quarta rodada do Paulistão, após a Ponte quitar R$ 1,9 milhão na CNRD da CBF e outros R$ 600 mil referentes a uma condenação na Fifa. Antes disso, o clube chegou a ter apenas dez atletas inscritos na lista principal, recorrendo às categorias de base nas três primeiras rodadas, que terminaram em derrotas para Corinthians, Velo Clube e Capivariano.

Mesmo com parte do elenco regularizado, a Macaca voltou a tropeçar, ao perder por 1 a 0 para o São Bernardo, em casa, na última quarta-feira. As pendências financeiras, porém, seguem sem solução. Os atrasos salariais acumulados desde 2025 já haviam provocado uma paralisação de treinos por quase duas semanas durante a pré-temporada, reforçando o clima de instabilidade que ainda cerca o clube.