Presidente Alex Bourgeois detalha o primeiro ano da SAF, celebra avanço financeiro e admite frustrações esportivas antes de projetar metas mais realistas para 2026
Foto: Divulgação/PortuguesaO primeiro ano da Portuguesa sob gestão de SAF foi marcado por desafios, ajustes estruturais e alguns avanços significativos, segundo avaliação do presidente Alex Bourgeois. Em entrevista ao ge, o gestor classificou 2025 como um período dedicado a reorganizar o clube e estabeleceu novos objetivos para a próxima temporada.
Bourgeois explicou que a entrada da SAF só foi possível após um amplo processo de reestruturação. A diretoria precisou renegociar dívidas históricas, revisar acordos com credores e montar rapidamente um elenco competitivo para iniciar o ano.
A dívida, estimada em R$ 560 milhões no final de 2024, caiu para aproximadamente R$ 190 milhões — uma redução de cerca de 66% dentro do plano de recuperação judicial aprovado. Segundo o dirigente, esse era um passo indispensável para restabelecer a saúde financeira da Lusa.
— Nós fizemos uma renegociação com os credores, e a dívida hoje está em torno de R$ 190 milhões. É o que a gente vai pagar dentro do plano de recuperação judicial. Essa equação era importante para que a gente pudesse ter um clube sustentável — afirmou Bourgeois.
Ele também destacou a mudança de percepção do mercado em relação à Portuguesa:
— A conquista mais importante do ano passado foi essa virada de chave na credibilidade perante o mercado futebol. Hoje, os clubes de futebol nos enxergam com credibilidade, pegam os nossos jogadores emprestado ou os compram, oferecem jogadores para a gente. Tem muitos empresários nos procurando. No ano passado, a gente procurava os empresários e eles nem queriam falar.
Enquanto trabalha ajustes internos, a Lusa avança na pré-temporada com reforços. Já foram anunciados Gabriel Pires, Zé Vitor, Eric Botteghin e Gustavo Salomão. Além disso, alguns atletas retornaram de empréstimo, e mais contratações devem ocorrer nos próximos dias.
Em campo, porém, 2025 ficou abaixo das metas iniciais. A ideia de subir uma divisão nacional por temporada sofreu um golpe quando o time foi eliminado da Série D em agosto, ficando sem calendário para o restante do ano. Antes disso, a equipe já havia caído precocemente no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil.
— No futebol, você faz o planejamento, mas não entra em campo. Os jogadores precisam também fazer a parte deles. Neste ano não deu certo, mas faz parte do processo. Pensando hoje com cabeça mais fria, teria sido incrível subir no primeiro ano com tudo que a gente teve que enfrentar. Muitos clubes passam três, quatro anos na Série D antes de conseguir subir. É um processo complexo — avaliou o presidente.
Bourgeois reforçou que a reconstrução é longa e que não há solução imediata para problemas acumulados em décadas.
— Nem eu, nem meus sócios, nem os colaboradores que trabalham aqui na Portuguesa, vamos conseguir mudar em um ou dois anos, o que não foi feito em 100. As coisas precisam de tempo.
Mesmo com ajustes no cronograma, o dirigente afirma que a ambição segue viva. Para ele, aspirar grandes resultados é o que mantém o projeto em movimento.