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Aliados sugerem que Julio Casares renuncie antes de votação

Presidente do São Paulo recebe orientações para deixar cargo e evitar desgaste em processo de impeachment

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 15 de janeiro de 2026
Foto: Divulgação/São Paulo

Pessoas próximas ao presidente do São Paulo, Julio Casares, têm defendido nos bastidores que ele entregue o cargo antes da votação que pode definir seu impeachment, marcada para esta sexta-feira, no estádio do Morumbis.

A reunião do Conselho Deliberativo ocorrerá um dia após a partida do Tricolor contra o São Bernardo, pelo Campeonato Paulista. Grupos de torcedores já organizam manifestações para os arredores do estádio, o que deve aumentar a pressão sobre o dirigente.

Interlocutores do presidente avaliam que a renúncia seria uma forma de evitar maior exposição pública e preservar seus direitos políticos dentro do clube. Caso Casares deixe o posto voluntariamente, o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assumiria o comando até o término do mandato.

A situação relembra um episódio semelhante vivido pelo São Paulo em 2015, quando Carlos Miguel Aidar optou por renunciar diante de denúncias que inviabilizavam sua gestão. Na ocasião, o cargo foi ocupado por Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Procurado para comentar sobre a possibilidade de renúncia, Julio Casares não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.

A sessão que analisará o pedido de impeachment será realizada de forma híbrida, com votação secreta entre 254 conselheiros. Para que o presidente seja afastado temporariamente, são necessários ao menos 171 votos favoráveis. Em caso de aprovação, uma nova decisão definitiva ocorreria em até 30 dias, em assembleia com os sócios do clube.

O processo teve início em 23 de dezembro, quando um grupo de conselheiros protocolou requerimento com 57 assinaturas solicitando a convocação de reunião extraordinária. O documento partiu do movimento de oposição “Salve o Tricolor Paulista”, mas também contou com apoio de integrantes da própria situação.

A crise política se intensificou após a divulgação de reportagens que apontaram suposto uso irregular de camarotes do Morumbis por membros da diretoria. Paralelamente, a Polícia Civil conduz investigações envolvendo possíveis irregularidades administrativas e financeiras no clube.

Entre os pontos apurados estão depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão nas contas pessoais de Julio Casares, além de saques realizados pelo São Paulo entre 2021 e 2025 que totalizam cerca de R$ 11 milhões.

Diante do cenário conturbado, o futuro da presidência tricolor deve ser definido nos próximos dias.