Técnico William Batista avalia queda precoce, fala em reconstrução da base e pede paciência à torcida alvinegra
Foto: Bruno Pantarotto / Meu Timão A eliminação do Corinthians na Copa São Paulo de Futebol Júnior trouxe à tona uma série de reflexões sobre o momento vivido pelas categorias de base do clube. Na última segunda-feira, o Timão foi derrotado pelo Guarani por 2 a 1, no Estádio Zezinho Magalhães, e deu adeus à competição ainda na segunda fase. Com isso, a equipe igualou sua pior campanha no torneio desde 2013, quando também caiu na mesma etapa.
Após o jogo, o técnico William Batista analisou o desempenho do time e atribuiu a queda precoce principalmente ao pouco tempo de trabalho à frente do elenco Sub-20 e aos problemas estruturais herdados das últimas temporadas. Segundo ele, a equipe foi encontrada em um cenário delicado, tanto técnico quanto emocional.
“É, acho que, para falar sobre isso, é preciso contextualizar. É muito recente o trabalho junto. A gente está há quatro meses junto. Para falar bem a verdade, a gente pegou uma categoria bem destruída, com muito jogador no elenco, muito jogador que estava no clube e nunca deveria ter pisado aqui dentro. Você colher resultado depois do que a gente pegou, vai demorar um pouquinho mais. Se a gente medir o tempo de curto, médio ou longo prazo, nós ainda estamos no curto prazo. E um clube como o Corinthians precisa ter vitórias consistentes e convincentes, e isso é construído através do tempo. Eu acho que o clube tem ido por um caminho bem bacana. As pessoas que estão no clube hoje são muito sérias. O presidente é muito sério, o Damiani, nosso diretor, é um cara muito sério. Eu acho que as pessoas que estão no clube querem o bem do clube hoje, e isso é importante”, afirmou o treinador.
Ele também revelou o impacto psicológico negativo que encontrou nos atletas ao assumir o cargo e lembrou a campanha complicada do Corinthians no Brasileirão Sub-20 do ano passado.
“Quando eu cheguei, nossos jogadores, psicologicamente, não confiavam mais neles, não confiavam mais naquilo que poderia ser produzido. É um time que quase caiu no Brasileiro Sub-20, brigou para não cair até a penúltima rodada. Acho que a vitória contra o Flamengo, lá no Rio de Janeiro, foi fundamental, porque, com menos três pontos, teria sido rebaixado. Então, o caminho não é fácil, o caminho é árduo. Eu também sabia, quando vim para cá, que seria assim. Acho que, se não fosse para ser um desafio tão grande, eu não seria o escolhido para tamanho desafio”, completou.
Desde maio de 2025, quando Osmar Stabile assumiu a presidência interina do Corinthians, o departamento de base passou por uma profunda reformulação. Carlos Roberto Auricchio, o Nenê do Posto, assumiu a direção do setor, enquanto Erasmo Damiani foi contratado como executivo. Já William Batista chegou em agosto para substituir Orlando Ribeiro e iniciar um novo projeto no Sub-20.
Apesar da eliminação na Copinha, o treinador destacou a evolução apresentada pela equipe nos últimos meses e ressaltou que o grupo passou por uma transformação importante.
“O desafio é de acordo com o meu nome, é de acordo com o nome do nosso diretor, que é o Damiani. Ao longo desses quatro meses, a gente não era um time e nos tornamos um time. Nós não acreditávamos mais que era possível e hoje passamos a acreditar que é possível. Era um time que jogava como um clube pequeno, fechado atrás da linha da bola. Hoje a gente joga como o Corinthians merece que o time do Corinthians jogue. Apesar de a gente ter perdido o jogo, é preciso jogar, sim, e vencer. Mas, se você pegar tudo isso, é muito recente, é precoce. Eu sei que a nossa fiel torcida corintiana está um pouco chateada hoje, mas, se eu pudesse fazer um pedido, é que, como sempre eles fazem, assim como foi hoje no estádio, apoiem, não desistam. Em meio a tudo isso, ainda teve a subida dos meninos ao profissional, que é uma alegria imensa para a nossa instituição. Isso foi importante durante a temporada do ano passado. E a gente vai, a médio prazo, aliar a subida dos garotos com uma boa linha de sucessão e organização, porque a gente precisa servir o profissional e ter linha de sucessão”, declarou.
Durante a competição, o Corinthians perdeu peças importantes para o elenco principal. Após a primeira rodada da Copinha, o técnico Dorival Júnior convocou o lateral-direito João Vitor Jacaré e os meio-campistas Luiz Gustavo Bahia e Gui Amorim para integrarem o grupo profissional na preparação para o Campeonato Paulista.
William Batista ainda foi contundente ao criticar a formação do elenco que encontrou ao chegar ao clube e reforçou a necessidade de recolocar a base corintiana no caminho das conquistas.
“A partir do momento em que jogadores que estavam aqui, que não mereceram estar aqui, não são capazes de substituir à altura aqueles que estão no profissional, eu acho que isso tem sido corrigido agora, nesses últimos quatro meses, com a chegada do próprio Damiani também ao clube. E acho que a gente vai colher grandes frutos mais para frente. O Corinthians vai trilhar um caminho que sempre trilhou na base e que precisa trilhar sempre, conquistar um Campeonato Brasileiro, que nunca conquistou, conquistar o Paulista, que não conquista há dez anos. O Corinthians Sub-20 não pode ficar dez anos sem conquistar o Campeonato Paulista. É continuar brigando para conquistar a Copa São Paulo e, junto disso tudo, jogar bem e subir ainda mais jogadores para a equipe profissional, para que tenha retorno financeiro e esportivo para a nossa instituição”, destacou.
Um dos principais obstáculos enfrentados pela comissão técnica foi o transfer ban imposto pela Fifa, devido a uma dívida com o Santos Laguna, do México. A punição impediu o registro de novos jogadores e limitou as opções do elenco durante boa parte da temporada.
“Eu acho que a gente, nesses quatro meses, conseguiu construir uma boa base, uma boa base daquilo que pode ser o ponto de partida do nosso elenco. É verdade que, agora, com a retirada do transfer ban, a gente vai conseguir repor algumas lacunas que existiam no nosso elenco. Nossos dois laterais esquerdos são meias de origem. Eu acho que eles performaram bem ali, foram muito compromissados, assim como o Robert também”, explicou.
Com a regularização da situação junto à Fifa no início deste ano, o Corinthians voltou a ter liberdade para contratar e reforçar suas categorias de base. Segundo William, isso permitirá a montagem de um grupo mais equilibrado e preparado para as próximas competições.
“A gente precisa fortalecer a linha de sucessão do clube. Tem bons jovens que vêm do Sub-17, mas é preciso também ter jogadores mais velhos que sustentem isso tudo. O Corinthians teve uma equipe jovem durante a última temporada da categoria. No futebol do nosso país é assim: se o time ganhou, o jogador presta, o treinador presta; se não ganhou, não presta. E, na hora do placar final, a gente nem olha se tem jogador jovem ou não. Hoje, por exemplo, a gente tinha dois atletas de 2009 em campo, o Caramico, que também é 2009, entrou. A gente é um time jovem, com muito jogador de 2007 em campo”, analisou.
“O Vera, por exemplo, terminou como 2005. Então eu acho que a gente tem, sim, uma boa base. Agora, com a retirada do transfer ban, a gente vai poder trabalhar em cima de algumas necessidades que a equipe tem ao nível de elenco. E esses jogadores precisam ser atletas que também tenham projeção para chegar à equipe profissional, porque não adianta contratar no Sub-20 só para dizer que está contratando, se a gente não vê perspectiva e prospecção para a equipe principal do Corinthians”, concluiu.
Com a eliminação na Copinha, o time Sub-20 volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro da categoria, que terá início em fevereiro. A expectativa é de que, com um elenco mais estruturado e novas contratações, o Corinthians consiga retomar o protagonismo histórico nas competições de base.