Técnico admite desgaste físico e mental do elenco, relata dificuldades estruturais e pede resiliência em meio à sequência de 16 jogos sem vitória na Série B
Foto: Reprodução/Ponte PretaA situação da Ponte Preta ganhou um novo capítulo após o empate por 1 a 1 com o Náutico, nesta sexta-feira, no Moisés Lucarelli. Em entrevista depois da partida, Márcio Zanardi expôs o desgaste provocado pela crise vivida pelo clube e admitiu que os problemas já afetam diretamente o elenco.
A Macaca abriu o placar com Brandão, mas sofreu o empate de Borasi no segundo tempo. O resultado ampliou para 16 partidas a sequência sem vitórias na Série B, período em que a equipe acumulou 13 derrotas e três empates.
Com apenas 10 pontos, a Ponte ocupa a última colocação do campeonato. Para Zanardi, o impacto da situação vai além dos resultados dentro de campo.
– A parte física e mental estão esgotadas – resumiu Zanardi ao projetar a preparação para o próximo compromisso, contra o Vila Nova, em Goiânia.
O intervalo curto até a próxima rodada também preocupa a comissão técnica. A Ponte enfrenta o Vila Nova na quarta-feira, fora de casa, e o planejamento será voltado principalmente à recuperação dos atletas, com redução da carga de atividades em campo.
– No sábado, vai treinar quem jogou pouco. No domingo é tentar recuperar um pouco mais, seguir recuperando na segunda e tentar trabalhar mais no vídeo do que no campo para não esgotá-los.
Outro reflexo da crise está na montagem do elenco. Impedida de utilizar reforços contratados por causa dos transfer bans, a Ponte tem recorrido às categorias de base. Contra o Náutico, Matheus Souza, Caio Vinicius e Gabriel Cicala ficaram como opções no banco mesmo sem terem participado anteriormente de treinamentos com a equipe profissional.
Zanardi, que tem trajetória ligada ao trabalho de formação, ressaltou que os jovens não podem carregar a responsabilidade pelo momento enfrentado pelo clube.
– Eu vim da base e a gente sempre sonha em promover estreias profissionais. Existem muitos problemas aqui no profissional e na base também não é diferente. Com isso, a gente acaba trabalhando para que a base ajude o profissional.É até injusto com eles, mas é uma oportunidade e o futebol é feito disso. A responsabilidade não é deles.
Na avaliação do treinador, os atrasos financeiros representam apenas uma parte de um cenário mais amplo. A sequência de dificuldades administrativas e estruturais tem afetado o ambiente e também o rendimento dos jogadores.
– A gente quer ter um ambiente saudável, mas é muito difícil. Isso não é apenas uma questão de salário. Isso é muito mais. As coisas não vão acontecendo, a cabeça sofre, o corpo acaba sentindo.
O próprio Zanardi revelou sentir os efeitos da pressão e afirmou recorrer à terapia e ao apoio da família durante o período. O treinador também negou estar em situação diferente dos demais profissionais que aguardam pagamentos do clube.
Mesmo diante do cenário, o comandante afirmou que continua trabalhando com os recursos disponíveis e mantém contato diário com a diretoria na expectativa de soluções.
– Eu falo todos os dias com eles. Eles estão trabalhando atrás de recurso para organizar. Não adianta eu ficar ligando, cobrando, pedindo. Eu trabalho com o que eu tenho. Quando você não tem dinheiro pra nada, falta tudo.
Para Zanardi, a estrutura oferecida atualmente também pesa em uma competição que exige alto nível de organização. O treinador reconheceu a insatisfação com os resultados, mas destacou que o momento exige resistência do grupo.
– Eu não estou feliz porque sou muito competitivo, mas é um momento que está me gerando muito aprendizado. O clube precisa reagir, dar condições, mas o trabalho está sendo feito. É o momento de ser resiliente.
A Ponte Preta volta a campo na quarta-feira, contra o Vila Nova, fora de casa, pela 23ª rodada da Série B. Além da tentativa de encerrar a longa sequência sem vitórias, a Macaca busca uma reação em meio às dificuldades que ultrapassaram o desempenho dentro das quatro linhas.
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