Goleiro ganhou espaço após lesão de Weverton, passou por ajustes técnicos e já soma 31 jogos sem sofrer gols em 64 partidas pelo clube
Foto: Cesar Greco/Palmeiras Contratado pelo Palmeiras em agosto do ano passado por mais de cinco milhões de euros, cerca de R$ 34 milhões na cotação da época, Carlos Miguel chegou com status de investimento para o futuro. A projeção, porém, mudou rapidamente após a lesão de Weverton, que abriu espaço para o goleiro assumir a titularidade.
Desde então, Carlos Miguel disputou 64 partidas pelo clube e terminou 31 delas sem sofrer gols. O desempenho veio acompanhado de um processo intenso de evolução técnica conduzido pela preparação de goleiros do Palmeiras.
Rogério Godoy, um dos responsáveis pelo trabalho no setor, destacou a capacidade do camisa 1 de absorver orientações e transformar os ajustes em campo.


“Ele é um atleta inteligente que gosta de aprender. É muito focado no crescimento profissional, absorve bem as informações, e é corajoso para executar, tentar.”
Entre os fundamentos mais trabalhados desde a chegada de Carlos Miguel está o posicionamento em bolas paradas. O goleiro passou a atuar de forma mais adiantada, em uma estratégia construída em conjunto com Abel Ferreira e a comissão técnica.
“A gente muda muita coisa, corrige, e somos muito detalhistas. Pode ser o posicionamento. O posicionamento das bolas paradas.”
Outro ponto desenvolvido mais recentemente envolve as chamadas bolas no raio de ação, especialmente finalizações próximas e de reação rápida.
O trabalho leva em consideração dados produzidos internamente pelo clube. A preparação de goleiros recebe relatórios mensais com indicadores de desempenho do elenco e também tendências do futebol brasileiro.
Uma dessas análises apontou aumento na incidência de gols em finalizações baixas, o que levou a comissão a adaptar exercícios específicos para esse tipo de situação.
Carlos Miguel viveu uma sequência positiva entre o fim da temporada passada e o início de 2026, mas também passou por oscilações depois da Copa do Mundo. Mesmo após algumas falhas individuais, manteve a confiança da comissão técnica.
A resposta veio com atuações importantes, entre elas o empate sem gols contra o Grêmio e a classificação diante da LDU, quando defendeu dois pênaltis e ajudou o Palmeiras a avançar à semifinal da Libertadores.
Os números reforçam a evolução. Carlos Miguel tem média de 0,73 gol sofrido por partida com a camisa do Palmeiras, mesma marca de Weverton e a melhor entre os goleiros do clube neste século.
Ao todo, foram 47 gols sofridos em 64 jogos. Na sequência aparecem Jailson, com média de 0,87, Marcelo Lomba, com 0,93, e Fernando Prass, com 1,03.
A relação com a comissão também se tornou uma das marcas do processo. Carlos Miguel costuma dividir o mérito das boas atuações com os profissionais que trabalham diretamente com ele.
“Lógico que estou jogando, mas esse troféu não serve só para mim. Essa vitória não é só minha, é deles também.”
Antes das partidas, o goleiro também mantém uma rotina de conversa com Rogério Godoy ao fim do aquecimento. O preparador utiliza o momento para reforçar orientações específicas sobre o jogo.
“São para pontuar uma ou outra situação dentro do jogo, do tempo, do próprio gramado, alguns alertas… passar confiança nesses últimos momentos antes de ele entrar em campo.”
Aos 27 anos, Carlos Miguel segue sendo tratado internamente como um jogador com margem de crescimento. Depois de chegar como aposta para o futuro, o goleiro já se consolidou como peça importante do presente do Palmeiras.