Ex-presidente tenta afastar acusações de gestão temerária e contesta os motivos que levaram à sua expulsão do quadro associativo
Foto: Divulgação/ X São Paulo Julio Casares entrou com uma ação contra o São Paulo após ser expulso do clube no dia 10 de setembro. Ex-presidente do Tricolor entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026, o dirigente afirma ter sido alvo de uma “trama política” em 2025 e contesta as acusações de gestão temerária e irregularidades durante seu mandato.
Na ação, a defesa de Casares pede que a Justiça reconheça a inexistência de gestão temerária, principal fundamento usado para sua expulsão. Também sustenta que a aprovação das contas entre 2021 e 2024 deveria afastar eventual responsabilização do ex-presidente.
Outro ponto apresentado diz respeito aos gastos pessoais realizados com o cartão corporativo do São Paulo. Casares devolveu R$ 560.401,74 ao clube e argumenta que o ressarcimento demonstra boa-fé e ausência de dolo ou culpa grave.


A expulsão foi aprovada pelo Conselho Deliberativo após investigações internas que apontaram gestão considerada temerária ou irregular. O ex-dirigente foi enquadrado no artigo 34 do Estatuto Social.
Um dos pontos destacados pela Comissão de Ética foi a movimentação de recursos em espécie. O relatório citou aproximadamente R$ 7 milhões em saques cuja documentação, segundo a comissão, não permitia comprovar adequadamente origem, finalidade e destino.
Ao todo, R$ 11,05 milhões foram retirados em dinheiro das contas do São Paulo durante os cinco anos da gestão Casares. Entre 2021 e 2024, foram R$ 9,3 milhões, enquanto outros R$ 1,7 milhão foram sacados em 2025.
Na ação, Casares argumenta que não cabia diretamente ao presidente fazer a explicação contábil dessas movimentações e afirma que nunca foi questionado sobre o tema pelo diretor de compliance do clube, Roberto Armelin.
O ex-presidente também sustenta que os valores representaram uma pequena parcela de toda a movimentação financeira do São Paulo no período. Segundo sua versão, os recursos foram utilizados para pagamentos de premiações aos jogadores, prestadores de serviços e despesas promocionais.
Outro elemento utilizado pela Comissão de Ética envolve o cartão corporativo. O relatório apontou despesas em restaurantes, estabelecimentos de luxo, charutaria, salões de beleza, gastos médicos, medicamentos e petshops.
Casares gastou aproximadamente R$ 1 milhão com o cartão corporativo durante sua gestão. Entre as despesas analisadas estavam pagamentos recorrentes em restaurantes e outros estabelecimentos.
A defesa, entretanto, tenta afastar a interpretação de que as despesas e posterior devolução dos valores representem prática irregular suficiente para caracterizar gestão temerária.
Com a ação judicial, a disputa entre Julio Casares e o São Paulo ganha agora um novo capítulo fora dos órgãos internos do clube, com o ex-presidente tentando contestar judicialmente os fundamentos que resultaram em sua expulsão.