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Carlos Miguel quer virar ídolo no Palmeiras: “Hoje sou gigante só pelo tamanho”

Titular após saída de Weverton, goleiro aposta em coragem, evolução constante e sonha com Seleção e títulos pelo Verdão

Por: Neila Gonçalves
5 horas atrás em 21 de fevereiro de 2026
Foto: Vilmar Bannach/Ekobanpress

Com 2,04m de altura, Carlos Miguel brinca que ainda é “gigante” apenas fisicamente no Palmeiras. Mas o goleiro deixa claro que o objetivo é crescer também em conquistas e relevância dentro de um clube marcado por nomes históricos na posição.

– Eu sou um goleiro que não tenho medo de arriscar – resumiu em entrevista ao globo esporte.

Aos 27 anos, ele chegou ao clube com pouca rodagem como profissional, mas ganhou espaço antes do previsto após a lesão de Weverton no fim de 2025. A oportunidade virou sequência, e o camisa 1 não saiu mais do time.

– Eu sabia que ia chegar, teria o Weverton, goleiro titular na época, e teria que brigar, trabalhar dia a dia, e também o Lomba. Falei: “cara, tenho que chegar, fazer o meu trabalho, sei do meu potencial e respeitar todos”. Fui recebido da melhor maneira possível e foi muito legal para mim.

– Uma coisa que não é boa para a gente, um jogador que é o Weverton, acabou se lesionando, e eu estava treinando bem, o Abel resolveu me dar a chance de jogar. Eu aproveitei da melhor maneira possível, respeitando todos, e consegui ganhar o espaço – relatou.

Mais adiantado nas bolas paradas e participando ativamente da construção com os pés, Carlos Miguel explica que a mudança de postura faz parte de uma evolução pensada junto à comissão técnica.

– Eu não tenho medo de arriscar, de fazer uma coisa difícil, tomar uma coragem, sair do gol. Porque para sair do gol, a técnica todos os goleiros vão ter, mas a coragem, muitos não vão ter, entendeu? Eu sou um cara que arrisco.

– Vamos trabalhar para fazer uma coisa diferente, cada dia que aprender uma coisa. No próprio lateral, se eu estou na frente no jogo do Mirassol (no último Brasileiro), não tinha tomado aquele gol. É o detalhe que faz a diferença ali também. Mas não quer dizer que a gente perdeu um campeonato porque a gente tomou um gol do Mirassol, isso aí é detalhe, é fatalidade do futebol.

O goleiro também revela que revê partidas para analisar o próprio desempenho e acredita que ainda tem margem de crescimento.

– Eu me vejo num momento que sei que estou muito bem e sei que posso ficar muito melhor ainda. O dia que eu falar que não vou aumentar mais meu nível, acho que já não é o mesmo Carlos Miguel que sempre sonha, sempre quer ganhar de qualquer jeito, até nos joguinhos no treino.

A relação com Abel Ferreira tem papel importante nessa evolução.

– Com os jogadores que temos hoje, e que podem entregar, não é porque a gente sai jogando que não pode chutar uma bola na frente. Se tiver no mano (a mano), a gente vai jogar a bola na frente, vai tentar o mais rápido possível chegar no gol adversário. Se a gente entender que tem que sair jogando, para atrair o time adversário (vamos fazer). A gente usa o que tem de melhor, de cada um.

– O Abel faz os treinos e dá muita liberdade. Ele explica: você vai fazer tal coisa, mas se entender que pode fazer uma coisa diferente e achar que está certo, faça. Não tenha medo, porque você chegou aqui não foi alguém te passando como um robô, você é uma pessoa.

– Ele sempre fala: o pior de tudo é você chegar em casa e sentir que podia ter arriscado, desfrutado o jogo e não desfrutou. Isso que é o legal do trabalho com ele.

O retorno ao Brasil também teve um componente estratégico. Depois de passagem discreta pelo Nottingham Forest, Carlos Miguel viu no Palmeiras a chance de retomar protagonismo — e entrar novamente no radar da Seleção Brasileira.

– Para mim, a minha volta foi muito importante também pensando na Seleção, porque o Palmeiras é um clube gigantesco, e em vista de onde eu estava, eu não estava ganhando minutos. Preferi vir para o Palmeiras mesmo, que era uma excelente equipe, e tem a história de vários goleiros que foram à seleção brasileira, tem muitos mundiais por aí.

– É trabalhar, sei que eu posso desempenhar o melhor futebol possível, sei que eu sou um grande goleiro, já estava no radar da Seleção antes, e espero fazer bons jogos para voltar novamente e poder ir para uma Copa do Mundo, pode ser esta ou a próxima. Meu trabalho que vai entregar.

Sem títulos até aqui pelo clube, o goleiro sabe que esse é o passo que falta para entrar definitivamente na galeria dos grandes.

– Quando eu ainda não estava aqui, acompanhava todos os jogos do Palmeiras e via que estava contratando muitos jogadores, um ano de reformulação. Muitos acharam que o Palmeiras não ia chegar na final da Libertadores, não ia estar brigando pelo título brasileiro. Acabou saindo cedo na Copa do Brasil e todo mundo achou que o Palmeiras ia brigar só pela Libertadores, não ia brigar por título nenhum.

– O amadurecimento veio ali e ninguém prestou atenção. O amadurecimento começou quando o time rapidamente encaixou e começou a ganhar jogos e ninguém dava importância. Na reta final foram ver que o Palmeiras já estava ali, batendo de frente. Lógico, quando chega lá, todo mundo quer ganhar. Este ano já é uma equipe que está jogando há mais tempo, vai chegar uma peça ou outra para compor, e ela vai criando casca, o coletivo vai aumentando.

E finaliza com bom humor e ambição:

– Hoje sou gigante só pelo tamanho ainda (risos). Mas vamos trabalhar, com pés no chão, respeitar todo mundo, todo dia, dedicar ao máximo e dar um por cento a mais a cada dia, para fazer bons jogos, para toda a equipe conseguir vencer. E nos dedicando vêm títulos, e assim vão ter outros ídolos, jogadores que serão eternos na história do Palmeiras. Eu trabalharei para ser um deles.