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Cédric Soares abre o jogo sobre pressão e futuro no São Paulo

Português relembra momentos difíceis, comenta troca de treinadores e destaca adaptação ao futebol brasileiro

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 16 de junho de 2026
Foto: Erico Leonan / São Paulo FC

Acostumado aos grandes palcos do futebol mundial, Cédric Soares encontrou um desafio diferente desde que chegou ao São Paulo. Com passagens por clubes europeus, participação em Copa do Mundo e o título da Eurocopa por Portugal, o lateral-direito revelou que a intensidade vivida no futebol brasileiro é algo único na carreira.

No Tricolor desde janeiro de 2025, o jogador soma 60 partidas e se aproxima de uma de suas maiores marcas em clubes, ficando próximo dos 64 jogos que disputou pelo Arsenal ao longo de quatro temporadas.

Em entrevista ao ge, o português afirmou que precisou passar por um período de adaptação, mas garantiu estar totalmente ambientado ao futebol brasileiro.

— Sempre fui uma pessoa e um jogador que tenta se adaptar rapidamente ao país e cultura, e mesmo à parte tática e técnica do campeonato. Quando saí de Portugal para a Inglaterra, bem jovem, tive também um período de adaptação. Neste caso, ao ir para o Brasil, o campeonato tem características diferentes, tive um período de adaptação, tem muitos jogos no ano, ou seja, eu acho que tem uma exigência bastante alta o Campeonato Brasileiro, mas me sinto adaptado, já começo a entender as características do Brasileirão — disse o jogador em entrevista ao ge.

Ao comentar a realidade do futebol nacional, Cédric destacou a paixão dos torcedores e a cobrança constante que envolve os clubes brasileiros.

— Em questão de futebol tem que estar habituado a lidar com pressão, a pressão existe em todos os lados do mundo, mas se calhar com intensidades diferentes, e formas diferentes. Quem quer jogar futebol de forma relaxada não pode ser profissional, ainda mais no Brasil. O Brasil é isso, quem não quer emoção, pressão e paixão no futebol não pode jogar no Brasil, aqui sempre foi conhecido por ter uma paixão muito grande e que respira futebol.

O lateral também relembrou o período em que perdeu espaço durante o início da temporada, quando deixou de ser relacionado em algumas partidas sob o comando de Hernán Crespo.

Segundo o jogador, a situação foi encarada como aprendizado, destacando ainda o esforço físico realizado em diversos momentos para ajudar a equipe.

— Tento sempre levar para o lado do aprendizado, a lidar com opiniões diferentes em alguns momentos, não especificamente com Crespo, se calhar com ele tive o período com mais jogos, junto com Zubeldia, no ano passado joguei 44 jogos, são muitos jogos em uma época, acho que só tive esse número de jogos com seleção, agora sem seleção nunca tive tantos jogos em uma temporada.

— Não quero ligar ao Crespo, são momentos dos jogadores, decisões dos treinadores, talvez naquele momento não estava a ser visto como titular absoluto, ele optou por outras opções, como em outros momentos fui titularíssimo, fiz jogos que quem está próximo sabe que joguei com dedo partido do pé, coisas que nunca fiz na vida, mas porque vi a necessidade de jogar, para poder contribuir, ajudar quando tinha necessidade — contou.







Durante a entrevista, Cédric também comentou o período em que Roger Machado esteve à frente do São Paulo. O português admitiu que a pressão sobre o treinador era perceptível dentro do elenco.

— Claro que houve sempre uma pressão muito grande no Roger, acho que foi algo óbvio desde o início. Os jogadores é normal sentirem, as coisas chegam mesmo que você tente não estar dentro da notícias diárias, mas a informação chega a nós, tínhamos noção disso.

— Mas acho que a equipe tentou se unir, trabalhar de forma positiva, tentamos dar uma resposta, acho que houve, o Roger tem umas características diferentes do grupo, acho que o grupo tentou abraçá lo, dar uma resposta, em alguns momentos não conseguimos o resultado e sabemos que no futebol o resultado é crucial.

Com contrato até dezembro de 2027, Cédric evitou garantir permanência a longo prazo, mas deixou claro que vive um momento positivo no clube e na cidade de São Paulo.

— O São Paulo é um clube muito grande, tenho contrato, estou feliz no clube, minha família está adaptada à cidade, a cidade é incrível, sinto bastante apoio dos colegas, que me receberam sempre de forma positiva, é como digo, o dia a dia, morar em São Paulo e jogar no São Paulo é uma experiência única.

— Você caminha na rua e vem uma criança tirar uma foto contigo, aquele orgulho, e você ser o ídolo aquela criança, daquela família, são coisas que acontecem muito em países latinos, e o Brasil vive o futebol de forma muito apaixonante.

— Acho que isso é muito positivo, vejo com bons olhos. Não consigo responder bem a sua pergunta, mas neste momento me sinto feliz, bem adaptado, quero seguir contribuindo e o futuro só a Deus pertence.