Criado no Paraguai, meia estreou na competição em Assunção e celebrou classificação do Leão às oitavas
Foto: JP Pinheiro/Agência MirassolA vitória do Mirassol por 2 a 1 sobre o Always Ready, nesta terça-feira, no Paraguai, teve um significado especial para Chico Kim. Além da classificação inédita do Leão às oitavas de final da Libertadores, o meia chegou à marca de 125 partidas pelo clube do interior paulista.
Brasileiro, de origem coreana e criado no Paraguai, Chico não poderia ter um palco mais simbólico para fazer sua estreia na Libertadores. A partida, disputada em Assunção, marcou o retorno do jogador ao país onde cresceu e de onde saiu ainda adolescente para tentar construir carreira no futebol brasileiro.
O camisa 10 entrou aos 36 minutos do segundo tempo, segundos antes do gol da vitória do Mirassol. Após a partida, Chico não escondeu a emoção por viver um momento tão marcante justamente no país em que passou parte importante da vida.
“É uma felicidade imensa poder fazer parte. A gente se sente muito privilegiado de poder estar aqui, de poder estar escutando isso. É um sonho de criança de todos nós e é um privilégio. Estamos muito felizes e agradecemos muito a Deus”, afirmou.
“Eu agradeço muito a Deus porque saí daqui com meus 15, 16 anos e hoje foi meu primeiro jogo de Copa Libertadores. Desde criança eu sempre assisti Libertadores, foi uma coisa que me incentivou a ser jogador de futebol. Então realmente eu agradeço muito a Deus por tudo que aconteceu para eu vir aqui. Tinha que ser aqui meu primeiro jogo“, completou.
Apesar da vitória e da classificação encaminhada, Chico reconheceu que o Mirassol sofreu mais do que deveria diante do Always Ready. O meia destacou que a equipe criou chances, mas permitiu o empate e precisou reagir rapidamente para evitar um jogo ainda mais complicado.
“A gente teve chances, criou bastante, mas quando entra 11 contra 11 pode acontecer de tudo. Tomamos o empate e graças a Deus logo depois conseguimos fazer o gol numa bola parada.”
Para o jogador, a resposta imediata após o empate mostrou a força mental do grupo, mas também serviu como alerta para a sequência da temporada.
“É mentalidade forte. Sabíamos da força da equipe deles para reverter a situação, mas é um jogo de alerta para a gente. Quando tiver oportunidade tem que tentar matar o jogo para não sofrer. Não podia ter sofrido tanto, mas graças a Deus saímos com a vitória e a classificação.”
A partida foi transferida para Assunção por conta da crise sociopolítica vivida pela Bolívia. A mudança também evitou que o Mirassol atuasse nos mais de 4 mil metros de altitude de El Alto, cenário que, segundo Chico, representaria uma dificuldade ainda maior.
“A gente sabe da dificuldade que é lá. Eu pessoalmente nunca joguei a 4 mil metros, mas temos jogadores experientes que falaram da dificuldade que é jogar lá.”
“É um alívio e também uma oportunidade. Tudo cooperou para o bem para a gente sair com a classificação. O clube merece, o clube fez mais uma história. Muitas pessoas até hoje não acreditam no que está acontecendo, mas é pé no chão. Quando eu cheguei o clube não tinha divisão e hoje poder desfrutar disso junto com esse grupo tão vitorioso é um privilégio“, encerrou.