Clubes das Séries A e B aprovam novas regras contra cera no Brasileirão

Medidas, que entram em vigor na 23ª rodada, incluem limite de tempo para cobranças, punição a substituições demoradas e um minuto fora para jogadores que receberem atendimento médico

Por: Jhonatan Moraes
1 hora atrás em 10 de agosto de 2026
Foto: Divulgação/CBF

A CBF realizou nesta segunda-feira (10), em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a terceira reunião com representantes dos clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir a criação da Liga do Futebol Brasileiro. O encontro definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem, muitas delas utilizadas na Copa do Mundo de 2026, para as divisões do Brasileirão, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro Feminino A1.

A reunião também marcou o início de um ciclo de cinco encontros que terão como objetivo discutir e elaborar um novo regulamento para o futebol brasileiro a partir de 2027. Entre os temas previstos estão mudanças na arbitragem e na organização das competições.

A arbitragem receberá R$ 200 milhões em investimentos da CBF entre 2026 e 2027. A entidade entende que a modernização do regulamento é um dos pontos necessários para melhorar o produto futebol brasileiro, tanto do ponto de vista esportivo quanto comercial.

O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou a importância da participação dos clubes nas discussões e afirmou que as mudanças precisam ser construídas em conjunto.

“Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, afirmou.

CBF quer aumentar tempo de bola rolando

Um dos principais objetivos das mudanças é aumentar o tempo de bola rolando nas partidas. Em parceria com a CBF Academy, a entidade elaborou o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, com dados fornecidos pela OPTA Stats Perform.

Até a parada para a Copa do Mundo, a Série A registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo. O número está abaixo da meta de 60 minutos estabelecida pela FIFA.

Entre as principais ligas, a Premier League registra 55min23s, enquanto a Ligue 1 e a Bundesliga têm média de 56min17s. A LaLiga aparece com 55min09s e a Serie A italiana com 54min28s.

O estudo aponta que aproximadamente 6min22s de bola rolando podem ser recuperados por partida com mudanças na condução das faltas, reposições de bola, atendimentos médicos e checagens do VAR e do impedimento semiautomático.

A CBF também apresentou aos clubes a estimativa da FIFA de que o novo conjunto de regras pode acrescentar, em média, 5min49s de bola rolando por jogo.

Novas regras entram em vigor nesta temporada

Apesar de algumas das alterações terem prazo internacional de adoção até 2028, a CBF propôs aos clubes que as medidas sejam aplicadas imediatamente no futebol brasileiro.

Entre as principais mudanças está o limite de oito segundos para o goleiro permanecer com a bola nas mãos. Caso ultrapasse o tempo, o adversário terá direito a um escanteio.

Também haverá limites específicos para cobranças de lateral, tiro de meta e substituições, além da obrigatoriedade de o jogador atendido fora do campo permanecer por pelo menos um minuto antes de retornar.

Confira as novas regras:

1. Oito segundos com a bola nas mãos
O goleiro terá oito segundos para manter a bola sob controle com as mãos. Em caso de descumprimento, será marcado escanteio para o adversário.

2. Cinco segundos para arremesso lateral
Quando o árbitro identificar uma demora proposital, será iniciada uma contagem regressiva de cinco segundos. Se a cobrança não for realizada, a posse passa para o adversário.

3. Cinco segundos para tiro de meta
O árbitro poderá iniciar uma contagem de cinco segundos após apitar. Caso a cobrança não seja realizada dentro do prazo, será concedido escanteio ao adversário.

4. Dez segundos para deixar o campo em substituições
O jogador substituído terá dez segundos para deixar o campo pelo ponto mais próximo. Em caso de atraso, o substituto terá que aguardar um minuto para entrar.

5. Um minuto fora após atendimento médico
O atleta que receber atendimento dentro do campo deverá permanecer fora por pelo menos um minuto antes de retornar.

6. Atendimento ao goleiro também deixa um jogador fora
Quando o goleiro receber atendimento, um jogador de linha da equipe precisará permanecer fora durante um minuto. O treinador ou capitão poderá indicar quem cumprirá o período.

7. Somente o capitão fala com o árbitro
A regra estabelece um único interlocutor por equipe em determinadas situações de diálogo com a arbitragem.

8. Cobrir a boca em discussão pode gerar cartão vermelho
O chamado “Protocolo Vini Jr.” prevê expulsão para quem cobrir intencionalmente a boca ao discutir com um adversário em situação considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.

9. VAR poderá corrigir segundo cartão amarelo
O VAR poderá intervir em situações nas quais o árbitro aplicar equivocadamente um segundo cartão amarelo que resulte na expulsão de um jogador.10. VAR poderá revisar escanteio concedido por engano a partir de 2027
A revisão será permitida quando um escanteio marcado equivocadamente resultar diretamente em gol ou pênalti.