Material anônimo entregue ao Deliberativo cita suposta revenda de ingressos no Morumbis; caso entra na pauta do Consultivo
Foto: Reprodução/Instagram Conselheiros do São Paulo protocolaram uma denúncia que aponta possível envolvimento de Christina Massis — filha do presidente Harry Massis e ex-diretora adjunta da base — em um suposto esquema de venda irregular de ingressos de shows no Morumbis. A acusação se apoia em áudios aos quais o ge teve acesso e que, segundo o material apresentado, registram conversas em que é possível ouvir a voz de Christina em diferentes recortes.
O conteúdo chegou ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, por meio de um envelope anônimo com um pendrive. A discussão sobre o caso está prevista para reunião do Conselho Consultivo nesta sexta-feira. Apesar da movimentação política na oposição, o órgão tem caráter apenas opinativo e não define medidas como afastamento de dirigentes ou do presidente.
Em um dos trechos, Christina comenta estar ciente da repercussão interna e relata conversa com o pai sobre possíveis consequências caso as gravações viessem a público:
— Mas hoje eu estava conversando à noite com meu pai, meu pai soltou uns atos administrativos para se proteger hoje.
— Ele quer contornar a situação.
— Ele está passado, ele falou que vai ter que renunciar. Que “se isso estourar eu vou ser obrigado a renunciar”.
— Se depender de mim, você não vai renunciar, porque eu tenho Pix, eu não fiquei com nada.
Em outra gravação, ela diz ter sido chamada para participar de um esquema e menciona cambistas em um camarote ligado à vice-presidência. No mesmo trecho, afirma que valores recebidos em sua conta teriam sido repassados a uma terceira pessoa identificada como Nildes:
— Eles tão vendo como é que controla a situação, mas, assim, eu não sei mais quem pode controlar a situação.
— Fiz um Pix para Dona Nildes, que é uma mulher que eu ajudo.
— Eu não fiquei com dinheiro nenhum, todo dinheiro que caiu na minha conta eu fiz um Pix para a Dona Nildes, que é uma mulher que eu ajudo.
— Não foi para ficar o dinheiro comigo, eu não vendi nada, eu dei.
— Ah, depois ele estava tentando me fazer entrar em um esquema de venda, me passou uns ingressos, foto de ingresso, me passou para cambista.
— Tem um monte de coisa comprometedora, um monte de coisa comprometedora.
— (Inaudível) minha grana, né?!
— Ele me pedia, “eu quero presentear duas pessoas”, mas aí começou a falar em fazer esquema com camarote, que vamos trazer gente, aí um dia ele levou um cambista para o camarote da vice-presidência, eu fiquei desesperada, falei “meu, você tá louco?”, quem são esses caras, super mal encarados, para assistir o jogo, mas eu dei ingresso para ele, eu dei, só que aí ele falou vamos começar, é agora, é o momento, não sei o quê”.
Um terceiro áudio, mais curto, traz a participação de um interlocutor, que menciona estar com ingressos para venda e o valor ofertado. A resposta atribuída a Christina sugere expectativa de aumento no preço próximo ao evento:
— Oi, Chris, bom dia. Eu estou com esses dois ingressos para vender, esse é o valor que ele está querendo — afirma o interlocutor. — Quando estiver chegando próximo ao show, esses ingressos vão estar valendo cinco conto — respondeu Christina.
Não há confirmação sobre a data das gravações. Pelo contexto mencionado sobre camarote da vice-presidência, o conteúdo teria sido registrado antes da renúncia de Julio Casares, em janeiro. Christina foi afastada em fevereiro da função que exercia desde 2024 na estrutura da base feminina.
Procurada, Christina enviou um posicionamento por nota:
Há algum tempo, o São Paulo Futebol Clube tem sido marcado pela falta de transparência. No entanto, a atual Gestão é diferente e, por isso, tem sofrido tantos ataques, desde o início, com acusações infundadas.Integridade, isenção e transparência são as marcas da atual Gestão, a ponto do presidente encaminhar o caso para a competente apuração, independentemente de grau de parentesco.