Conselho do São Paulo cria comissão para analisar acordo com a Ticketmaster

Grupo vai avaliar contrato que prevê antecipação de R$ 140 milhões ao clube e foi alvo de questionamentos da NewC

Por: Neila Gonçalves
2 horas atrás em 2 de setembro de 2026
Foto: Divulgação/São Paulo

O Conselho Deliberativo do São Paulo criou uma comissão para analisar o contrato firmado entre o clube e a Ticketmaster, escolhida para assumir a gestão da venda de ingressos do Morumbis. O grupo terá caráter de urgência e ficará responsável por elaborar um parecer antes de o acordo ser levado à votação dos conselheiros.



A comissão será formada por Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha. A diretoria considera o contrato fundamental para antecipar receitas e resolver pendências financeiras, inclusive atrasos com o elenco. O tema ganhou ainda mais repercussão após o vazamento de um áudio em que o presidente Harry Massis cobrou agilidade na votação.

A criação da comissão ocorreu depois que o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, recebeu questionamentos da NewC, empresa que participou da concorrência vencida pela Ticketmaster. Segundo o documento encaminhado ao Conselho, a companhia contestou diferentes pontos relacionados à condução do processo de escolha.

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Entre as reclamações, a NewC afirma que não foi inicialmente convidada para participar da concorrência e que entrou no processo depois de tomar conhecimento da disputa por meio do mercado. A empresa também questionou o intervalo entre sua manifestação de interesse e a autorização para apresentar proposta, além de afirmar que recebeu inicialmente um material que já estava desatualizado.

Outro ponto levantado envolve uma operação financeira de cerca de R$ 500 milhões, estruturada em parceria com a ANGA Asset e com suporte jurídico da Demarest Advogados. Segundo a NewC, a ideia foi apresentada ao São Paulo em julho e ultrapassaria uma primeira proposta que previa antecipação aproximada de R$ 90 milhões.

A empresa sustenta que o clube demonstrou interesse inicialmente, mas que as conversas perderam força posteriormente. Em agosto, a NewC teria percebido que o São Paulo já avançava na elaboração de uma minuta contratual com outra companhia e concluiu que a escolhida seria a Ticketmaster.

O São Paulo apresenta uma versão diferente. O clube afirma que a operação de R$ 500 milhões nunca foi formalizada como proposta e, por isso, não poderia ser comparada diretamente às ofertas entregues oficialmente na concorrência. Na avaliação da diretoria, a Ticketmaster apresentou as melhores condições entre os participantes.

O contrato com a Ticketmaster prevê a antecipação de R$ 110 milhões em até 45 dias depois da assinatura. O valor funcionará como um empréstimo, a ser devolvido pelo São Paulo em cinco anos, com juros de CDI mais 1,99%. A restituição será feita a partir das receitas dos jogos no Morumbis, limitada a R$ 1,8 milhão por mês.

Há ainda outros R$ 30 milhões relacionados à gestão do camarote 29A por cinco anos. Somados, os R$ 140 milhões são considerados essenciais pela diretoria para aliviar o caixa e quitar dívidas com jogadores ainda nesta temporada.

O acordo também prevê investimento de R$ 6 milhões na reforma do Museu do São Paulo, além da transferência da gestão do programa de sócio-torcedor para a Ticketmaster. Atualmente, esse serviço é administrado pela Feng. Para a diretoria, concentrar ingressos e sócio-torcedor em uma única empresa pode reduzir custos da operação.

A Ticketmaster cobrará taxa de administração de até 10% sobre os ingressos, sendo 8% para entradas físicas, e de 8% sobre os associados do programa de sócio-torcedor. O contrato já recebeu aprovação unânime do Conselho de Administração, mas ainda depende do Conselho Deliberativo para entrar em vigor.

Em nota, o São Paulo criticou a criação da comissão e afirmou que a medida acrescenta uma nova etapa ao processo, retardando a análise do acordo. O clube também rebateu a NewC e sustentou que a proposta de até R$ 500 milhões se limitava a uma ideia preliminar ligada a uma estrutura financeira envolvendo o Morumbis.

Segundo a diretoria, a participação da Lu Arenas na estrutura sugerida pela NewC também foi apontada pela área de Compliance como um obstáculo à continuidade das conversas. O São Paulo reforçou ainda que considera o contrato com a Ticketmaster seguro e capaz de ampliar receitas de bilheteria e do programa de sócio-torcedor.

Agora, a comissão deverá concluir a análise para que o Conselho Deliberativo possa decidir sobre o futuro do acordo, que se tornou peça central no planejamento financeiro do clube para os próximos meses.