Acordo também prevê liberação de receitas de bilheteria e premiações enquanto clube e banco negociam alternativas para quitar débito de R$ 630 milhões
Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians O Corinthians acertou com a Caixa Econômica Federal a suspensão, por um ano, dos pagamentos da dívida referente à Neo Química Arena. Durante esse período, o banco também deixará de reter parte das receitas de bilheteria e das premiações recebidas pelo clube em competições.
O acordo foi firmado durante as negociações para quitar o débito de aproximadamente R$ 630 milhões relacionado ao estádio, por meio da exploração dos naming rights e de outros produtos comerciais. A medida dará maior liberdade ao fluxo financeiro do Corinthians em meio à crise econômica enfrentada pela instituição.
O contrato de renegociação assinado em 2022, durante a gestão do ex-presidente Duílio Monteiro Alves, prevê a retenção de 55% da bilheteria dos jogos e de 50% das premiações como garantias para o abatimento da dívida. Com a suspensão temporária dessas retenções, a diretoria espera ampliar a disponibilidade de recursos para cumprir os compromissos financeiros.


A bilheteria é considerada uma das principais fontes de receita do clube, impulsionada pela presença frequente de grandes públicos na Neo Química Arena.
Corinthians enfrenta atrasos em pagamentos
A liberação das receitas ocorre em um momento delicado para as finanças alvinegras. Desde maio, a gestão de Osmar Stábile enfrenta atrasos em salários e outros compromissos. O clube também tem pendências referentes às premiações da Conmebol Libertadores e do Campeonato Brasileiro, além de dois meses de direitos de imagem do elenco masculino.
Corinthians e Caixa realizaram uma série de reuniões para discutir alternativas para a dívida da arena. O encontro mais recente ocorreu na sexta-feira (16), em Brasília, com a participação de representantes do banco, da diretoria corintiana e de lideranças da torcida organizada Gaviões da Fiel.
Após a reunião, as instituições divulgaram uma nota conjunta, na qual a Caixa reconheceu publicamente, pela primeira vez, o avanço das negociações.
“A Caixa e o Sport Club Corinthians Paulista informam que avançaram nas conversas voltadas à avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes”, informou o comunicado.
A nota também confirmou a assinatura de um termo de confidencialidade e destacou que as tratativas continuam em andamento, em um ambiente de cooperação e responsabilidade legal.
O Corinthians já havia suspendido o pagamento das parcelas da dívida e recebido de volta R$ 13,5 milhões dos R$ 27 milhões depositados em uma conta reserva. Parte do dinheiro foi utilizada para quitar salários atrasados do elenco masculino.
Apesar dos avanços, a suspensão dos pagamentos e a liberação das receitas não significam que a dívida tenha sido quitada. Ainda não há prazo definido para a conclusão das negociações.
Entenda a proposta do Corinthians à Caixa
A principal proposta do Corinthians é transferir à Caixa os direitos de exploração comercial do nome do estádio, atualmente chamado Neo Química Arena, em referência ao contrato de naming rights com a Hypera Pharma.
A diretoria estima que os direitos de nome do estádio possam valer cerca de R$ 70 milhões por temporada. Atualmente, a Hypera paga aproximadamente R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, desde a assinatura do contrato, em 2020.
Além dos naming rights, a proposta inclui outros produtos comerciais, como títulos de capitalização, a transferência das operações financeiras do clube — incluindo contas e pagamento de salários — para a Caixa e a possibilidade de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
A ideia é utilizar o valor comercial dos direitos de nome do estádio, durante um período determinado, para compensar o débito com o banco. O modelo ainda depende de negociação e formalização entre as partes.
O presidente Osmar Stábile tem apontado a quitação da dívida da arena como uma das prioridades de sua gestão, diante do impacto do financiamento sobre as contas do clube.
Dívida da Neo Química Arena chega a R$ 630 milhões
Desde a inauguração da Neo Química Arena, em 2014, o Corinthians desembolsou aproximadamente R$ 600 milhões para pagar o financiamento da construção.
O contrato renegociado durante a gestão de Duílio Monteiro Alves estabeleceu dezembro de 2041 como prazo final para a quitação. O acordo também previu amortizações crescentes a partir de 2025 e juros desde 2023, à taxa de 2% ao ano, acrescida da variação do CDI.
Na prática, o Corinthians pagou apenas os juros em 2023 e 2024 e começou a reduzir o saldo principal da dívida em 2025.
O endividamento total do clube está estimado em cerca de R$ 2,8 bilhões. Nesse cenário, a diretoria considera que uma solução para o débito da arena pode ajudar a reorganizar as finanças e ampliar a capacidade de pagamento de outras obrigações.
No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o Corinthians interrompesse os pagamentos à Caixa para priorizar outras dívidas. A discussão ganhou força em meio à crise financeira e contribuiu para colocar a renegociação do financiamento novamente no centro das prioridades do clube.